Ciência e Tecnologia
28.07.2010

Príons anormais podem causar doenças a partir de células saudáveis

A proteína infecciosa causa doenças neurodegenerativas fatais, como a doença de Creutzfeldt-Jakob e o mal da vaca louca

Um novo estudo, realizado por cientistas do Scripps Research Institute (na Flórida) e da University College London (UCL), demonstrou, pela primeira vez, que os príons anormais pedaços de proteína infecciosa desprovida de DNA ou RNA, que podem causar doença neurodegenerativa fatal pode surgir a partir de tecido cerebral saudável.

Pesquisas anteriores mostraram que os príons se ligam facilmente a superfícies metálicas de fios de aço simples (material usado como catalisador no estudo) e pode iniciar a infecção com uma eficiência notável. De acordo com a nova pesquisa, células cerebrais não infectadas também podem iniciar a doença priônica em cultura de células, que era transmissível aos ratos.

"Doenças causadas por príons, como a doença de Creutzfeldt-Jakob (esporádica em seres humanos) ou encefalopatia espongiforme bovina atípica (uma forma de doença da vaca louca), ocorrem raramente e de forma aleatória", disse Charles Weissmann, presidente do Departamento de Infectologia da Scripps/Flórida , que conduziu o estudo em parceria com John Collinge, chefe do Departamento de Doenças Neurodegenerativas na UCL Institute of Neurology. "Tem sido proposto que estes acontecimentos refletem a formação rara e espontânea de príons no cérebro. Nosso estudo oferece prova experimental que os príons podem, de fato, de forma espontânea, e mostra que este evento é promovido pelo contato com superfícies de aço".

Os príons infecciosos, compostos apenas de proteínas, são classificados por linhagens distintas, inicialmente, caracterizadas pelo tempo de incubação da doença que eles causam. Estes príons tóxicos têm a capacidade de se reproduzir, apesar de não conter genoma de ácido nucleico.

As células de mamíferos, normalmente, produzem proteína príon inofensivo celular (PrPC). Após a infecção por príon, a proteína príon anormal ou misfolded (PrPSc) converte o PrPC em uma imagem de si, fazendo com que ele altere a sua conformação ou forma. A fase final é composta de grandes agregados destas proteínas misfolded, que causam danos maciços no tecido celular.

Teste sensível

No novo estudo, os cientistas usaram o ensaio Scrapie Cell, um teste criado originalmente por Weissmann, altamente sensível a quantidades mínimas de príons.

Usando o Ensaio Scrapie Cell para medir a infecciosidade dos fios revestidos de príon, a equipe observou várias instâncias inesperada de príons infecciosos em grupos de controle, onde fios de metal foram expostos apenas ao tecido cerebral de camundongos normais não infectados. Os pesquisadores analisaram experimentos de controle rigoroso e exaustivo, concebidos especificamente para excluir a contaminação do prião. Weissmann e seus colegas em Londres descobriram que quando a proteína príon normal é coberta com um fio de aço e colocada em contato com as células cultivadas, uma proporção pequena, mas significativa,dos fios revestidos causa infecção das células príons e quando transferidos para camundongos, elas continuam a gerar a doença.

Weissmann observou que uma interpretação alternativa dos resultados é que os príons infecciosos estão naturalmente presentes no cérebro em níveis não detectáveis pelos métodos convencionais e são normalmente destruídos no mesmo ritmo que eles são criados. Se for esse o caso, o pesquisador explica que as superfícies de metal poderiam estar atuando para concentrar os príons infecciosos, na medida em que eles se tornaram quantificáveis por métodos de testes da equipe.

Fonte: Isaude.net