Ciência e Tecnologia
07.07.2010

Alto consumo de frutose e gorduras trans levam à doença hepática grave

Dieta com altos níveis destes elementos não só aumenta a obesidade, mas também causa danos significativos ao fígado

Cientistas no Cincinnati Childrens Hospital, nos Estados Unidos, descobriram que uma dieta com altos níveis de frutose, sacarose e de gorduras trans não só aumenta a obesidade, como também leva a doenças importantes do fígado e no tecido cicatricial.

"Consumo de frutose está presente em 10,2%, em média, das dietas nos Estados Unidos e tem sido associada a muitos problemas de saúde, incluindo a obesidade, doença cardiovascular e doença hepática, como a esteatose hepática", disse o principal autor do estudo, Rohit Kohli. "Nós desenvolvemos um modelo de camundongo que é muito próxima à doença humana, permitindo-nos compreender melhor o processo envolvido e a progressão da doença hepática."

O estudo também inclui dados preliminares de um simples exame de sangue para detectar a presença de um marcador biológico que diferencia os estágios da doença. Os médicos atualmente monitoram a progressão da doença hepática gordurosa do fígado por meio de biópsias, que são procedimentos invasivos.

Alguns camundongos do estudo foram alimentados com uma dieta normal de ração de roedores, e outros com uma dieta de 16 semanas de frutose, sacarose e água potável enriquecida e ainda sólidos com gordura trans. Seu tecido hepático foi, então, analisado quanto ao teor de gordura, a formação de tecido cicatricial (fibrose), e o mecanismo biológico de dano.

Os pesquisadores descobriram que os camundongos alimentados com a dieta padrão normal de calorias emagreceram e não apresentaram doença hepática. Já os ratos alimentados com dietas ricas em calorias tornaram-se obesos e desenvolveram a esteatose hepática.

"Curiosamente, apenas o grupo alimentado com a combinação de alta frutose e gordura trans desenvolveu a doença hepática avançada com fibrose", disse Kohli. "Esse mesmo grupo também teve aumento do estresse oxidativo no fígado, aumento de células inflamatórias e elevação nos níveis plasmáticos de marcadores de estresse oxidativo."

Kohli espera continuar a investigar o mecanismo de lesão do fígado causado pela frutose em excesso.

Os investigadores também pretendem usar este modelo para entender melhor a doença humana do fígado e realizar ensaios clínicos com novas terapias e ferramentas de monitoramento.

"Nossos dados sugerem que a suplementação com agentes farmacêuticos devem ser testadas em nosso novo modelo para determinar se algum é capaz de reverter ou proteger contra a cicatrização progressiva e contra os danos do fígado", concluiu Kohli.

Fonte: Isaude.net