Saúde Pública
29.05.2010

Síndrome perisilvyana pode estar associada a alterações na audição

De acordo com estudos da Unicamp, os distúrbios de linguagem, de leitura e de escrita também podem ser fatores de risco

Foto: Divulgação Unicamp
Dra. Mirela Boscariol com paciente no Ambulatório de Neurologia Infanti
Dra. Mirela Boscariol com paciente no Ambulatório de Neurologia Infanti

Ao verificar alterações de linguagem, de leitura e de escrita do paciente, o especialista da área de diagnóstico por imagem pode ter indícios de que está diante de alguma lesão do sistema nervoso, o substrato neuroanatômico, ou também de algum componente genético. A polimicrogiria é um típico caso uma malformação que foge ao padrão anatômico normal, caracterizada por muitos microgiros ao redor da fissura sylviana, responsável pela codificação articulatória e pela programação motora da linguagem falada. Esta polimicrogiria está presente na síndrome perisilvyana e, devido à sua proximidade com regiões auditivas essenciais para o desenvolvimento da linguagem, sugere que o processamento auditivo pode estar alterado nesta síndrome. Isto significa que essas alterações também devem ser consideradas como fator de risco para distúrbios de linguagem, leitura e escrita e processamento auditivo. Esta é uma das principais conclusões da tese de doutorado de Mirela Boscariol, defendida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM).

Esse trabalho integrou o projeto temático Síndrome Perisylviana, coordenado pela professora Marilisa Mantovani Guerreiro, que é orientadora da tese e responsável pelo Ambulatório de Neurologia Infantil localizado no segundo andar do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp. O projeto temático da Fapesp, há pouco finalizado, contou com quatro subprojetos, sendo o de Mirela Boscariol pertencente ao do eixo da linguagem.

O trabalho da fonoaudióloga abordou a avaliação do processamento auditivo, linguagem, leitura e escrita de 33 escolares na faixa etária de 8 a 16 anos. Dentre o universo dos 33 avaliados, 12 escolares apresentavam a lesão e distúrbios de linguagem, leitura e escrita, além de processamento auditivo; dez crianças possuíam apenas os distúrbios, mas não tinham a lesão; e 11 não mostravam alterações e nem a lesão. Estes escolares foram acompanhados pelo Departamento de Neurologia do HC entre 2007 e 2009. A pesquisa foi extensa para a fonoaudióloga, tanto que o que era inicialmente para ser uma pesquisa de mestrado avançou de tal forma que passou a constituir uma tese de doutorado.

As avaliações na área fonoaudiológica foram feitas pela própria pós-graduanda e, incluiu a avaliação da linguagem, para investigar como era a fala dos escolares; da compreensão, para identificar o estágio do conhecimento dos escolares ao se apropriarem da informação; da leitura e da escrita; bem como do processamento auditivo. Além disso, ela contou com o parecer de outros especialistas. Os escolares passaram por avaliação neurológica com a professora Marilisa Guerreiro; por avaliação de imagem de ressonância magnética, analisada pelo neurologista da FCM Fernando Cendes; e por avaliação neuropsicológica da psicóloga Catarina Guimarães.

Fonte: UNICAMP