Saúde Pública
24.05.2010

Quatro em cada dez paulistas nunca avaliaram o nível de açúcar do sangue

Pesquisa mostra que apenas 6% dos paulistas associam o excesso de açúcar no organismo aos problemas do coração

Fotos: Divulgação DPGarcia Diabetes
Profissionais da saúde realizam teste de glicemia em show
Profissionais da saúde realizam teste de glicemia em show

Quatro em cada dez paulistas nunca avaliaram o nível de açúcar do sangue, mas 84% acreditam na possibilidade de prevenção. É o que revela pesquisa encomendada pela SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), dentro das comemorações do Dia Nacional de Controle ao Diabetes.

A Pesquisa SOCESP sobre fatores de risco cardiovascular, feita pelo Instituto Datafolha, mostra ainda que apenas 6% dos paulistas associam o excesso de açúcar no organismo aos problemas do coração. Revela, também, que a população do Estado de São Paulo confia na prevenção do diabetes, mas pouco mais da metade dos entrevistados (58%) já mediu o nível de glicose no organismo.

O Diabetes está em último lugar entre os fatores de risco citados, atrás de Tabagismo (31%), Sedentarismo e Estresse (19%), Pressão Arterial (18%), Alcoolismo (17%), Colesterol (15%) e Obesidade (13%).

A desinformação das pessoas preocupou o presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, Ari Timerman. " O risco de um ataque cardíaco para quem não controla o diabetes pode aumentar em 200%, além de provocar infartos e derrames. Se a doença estiver associada à pressão alta, à obesidade, ao colesterol elevado, ao fumo ou ao sedentarismo os riscos são ainda maiores" , revela.

O coordenador da pesquisa, Álvaro Avezum, lamenta essa situação e afirma que " este fator de risco reduz a expectativa de vida, reduz enormemente a qualidade de vida das pessoas e gera gastos astronômicos para o governo. O fator pode ser prevenido, reconhecido e tratado, no entanto, mas a população ainda o desconhece" .

O estudo mostrou, ainda, que 77% dos participantes não sabem o nível normal de açúcar no sangue em um adulto. Apenas 11% citaram o valor correto (entre 51 e 100 mg/dL), 2% citaram valor menor que 70 mg/dL e 11% disseram acima de 101 mg/dL. As regiões de São José do Rio Preto Araçatuba e Presidente Prudente foram as que apresentaram maior nível de desconhecimento, com 80% dos entrevistados não sabendo responder à pergunta. Avezum cita outro fator que chamou a atenção. " Quanto menor a classe social, menor também o conhecimento. Na classe D/E 85% não sabiam responder, já na classe C esse número caiu para 77% e na classe A/B para 73%" .

A população da Região Metropolitana é a que menos faz o controle da glicose no sangue. Apenas 56% já mediram o nível de açúcar. Já no litoral paulista e no Vale do Paraíba esse número sobe para 61%. Segundo o levantamento, as pessoas medem a taxa de glicose, em média, a cada 1,1 ano. Mais uma vez as pessoas com maior poder aquisitivo e escolaridade são as mais conscientes.

" O ideal é fazer essa avaliação uma vez ao ano para quem não é diabético e de duas a três vezes ao ano para quem é diabético ou tem com glicemia alterada (disglicemia ou tolerância reduzida à glicose)" , explica Avezum.

A pesquisa avaliou, também, que entre aqueles que já mediram a taxa de açúcar no organismo, 80% declararam ter nível normal, 15% disseram alterado e 3% não souberam responder. Apenas 26% sabiam que o nível ideal é entre 51 e 100 mg/dL. Segundo o coordenador do estudo, algumas mudanças de hábito simples podem ajudar a evitar a doença.

" O diabetes pode ser prevenido por meio de alimentação saudável (baixa caloria e pouco carboidrato) e por meio de atividade física de moderada intensidade no mínimo de 3 vezes por semana, com duração de 1 hora a cada vez" , conclui Avezum.

Fonte: SOCESP