Saúde Pública
09.03.2010

Plano de enfrentamento do HIV passou por consulta pública para ser reaproveitado

Departamento relança o Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DSTs

Nesta segunda-feira, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais relançou o " Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DSTs" . O lançamento da versão revisada do projeto acontece no Dia Internacional da Mulher e, de acordo com o diretor-adjunto, Eduardo Barbosa, isso ocorreu para reaproveitar o plano. " No primeiro plano tínhamos as metas estabelecidas e, de fato, apresentava algumas distorções" , conta. A primeira versão foi publicada em 2007. Na entrevista, o gestor também comenta sobre as metas que não foram atingidas.

Confira abaixo a entrevista do diretor-adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (AA), Eduardo Barbosa

AA - Essa revisão apresentada no dia 8 prevê o que as ativistas pedem, por exemplo, orçamento específico e atribuições específicas de cada secretaria ou gestor?

EB - O Plano é muito mais político no sentido do estabelecimento de determinadas diretrizes e metas. Entendemos que na medida em que a gente coloca uma relação das ações necessárias, é preciso colocar orçamento para cumpri-las. Então se os nossos parceiros e nós mesmos estamos nos comprometendo com determinadas metas, para que elas aconteçam será necessário que cada um dos envolvidos coloque recursos.

AA - O Plano de 2007 previa uma meta de aquisição de 10 milhões de preservativos femininos. A gente teve informações de que a última compra foi de quatro milhões de unidades. Foi feita alguma aquisição anterior para atingir esse número?

EB - Na realidade não. Em relação a essa meta, temos problemas com a própria aceitabilidade do preservativo feminino. Existe também a questão em pesquisar para saber efetivamente qual é a indicação, estimativa e necessidade das mulheres. Estudos anteriores mostraram que não existe aceitabilidade por parte da mulher com o preservativo feminino. Pode ser que isso se reverta. No próximo Plano, precisamos, primeiro, estudar melhor qual é a necessidade e a aceitabilidade da mulher em relação ao preservativo feminino para ampliar a compra. Não adianta adquiri-los e eles ficarem estocados.

As quatro milhões de unidades de preservativo feminino são suficientes para os trabalhos pontuais em cada secretaria de saúde, junto a públicos específicos de mulheres, sejam elas vivendo com HIV, profissionais do sexo... É um quantitativo que atende as necessidades apresentadas pelos estados e municípios. Não ampliamos a aquisição desse insumo exatamente porque não houve apresentação de uma necessidade maior até agora.

AA - Existe algum indicativo que explica por que existe essa falta de aceitabilidade por parte das mulheres?

EB - Foram pesquisas realizadas por volta de 2003, 2004 e 2005, e indicaram dificuldade na colocação. Não é como o preservativo masculino que você vai colocar na hora do ato sexual. Tem que ter toda uma preparação, não é tão simples como você durante o ato pegar o preservativo e colocar. O manejo dele é diferente. Ao mesmo tempo, a própria questão de como ele é. Tanto um modelo como o outro apresentam argola, que é desconfortável, segundo as mulheres.

Uma série de questões foi apresentada e mostrou essa não aceitação. Porém, isso também não é generalizado. Diante desses estudos, entramos em contato com os desenvolvedores de novas metodologias e apresentar propostas para mudar esse formato, esse jeito do preservativo feminino. Não é uma questão conclusiva, porque para isso é preciso ser feito um estudo muito mais amplo.

Nessa questão do preservativo, de qualquer maneira, elas reportam que usam, mas o masculino. Hoje tivemos uma ampliação no acesso a esse insumo de prevenção, inclusive com meninas jovens na primeira relação. Então, em todos os estudos que temos efetuado, principalmente através do PCAP, isso aparece. Não é por conta do não acesso ao preservativo feminino que elas deixam de usar. O masculino está sendo uma estratégia da própria mulher para ter sua autonomia sexual

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Fonte: Isaude.net