Ciência e Tecnologia
13.12.2009

Treinamento comportamental melhora a conectividade e a função do cérebro

Estudo mostra que treinamento para melhora da leitura altera o tecido cerebral e se reflete na habilidade fonológica das crianças

Foto: Divulgação
Crianças durante o horário de aula estudam em escola
Crianças durante o horário de aula estudam em escola

Cientistas da Universidade Carnegie Mellon descobriram a primeira evidência de que o treinamento intensivo, para melhorar habilidades de leitura em crianças, faz com que o cérebro se religue fisicamente, criando nova substância branca que possibilita a comunicação dentro do órgão.

Testes em crianças com idades entre 8 e 10 anos mostraram que a qualidade da matéria branca melhorou substancialmente após receberam 100 horas de treinamento de reparação. Com isso, elas foram capazes de ler melhor.
"Mostrar que é possível reprogramar uma substância branca do cérebro tem importantes implicações para o tratamento de dificuldades de leitura e outros transtornos do desenvolvimento, incluindo o autismo," afirmou Marcel Just, professor de Psicologia e um dos autores do estudo.
Thomas R. Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, concorda. "Nós já sabíamos que o treinamento comportamental podia melhorar a função cerebral. A descoberta empolgante aqui é detectar mudanças na conectividade do cérebro por meio do tratamento comportamental. Este achado com déficit de leitura sugere uma nova abordagem atrativa a ser testada no tratamento de transtornos mentais, que parecem cada vez mais acontecer devido a problemas nos circuitos cerebrais específicos", disse Insel.
Os pesquisadores fizeram a varredura dos cérebros de 72 crianças antes e depois delas passarem por um programa de seis meses de treinamento de reparação. Usando a imagem do tensor de difusão (DTI), uma nova técnica de imagiologia do cérebro que controla o movimento da água a fim de revelar a estrutura microscópica da matéria branca, Timothy Keller, também autor do estudo, e Just encontraram uma alteração cerebral envolvendo o cabeamento da substância branca que liga diferentes partes do cérebro.
Estudos anteriores de DTI haviam mostrado que crianças e adultos com dificuldade de leitura possuíam áreas de comprometimento da substância branca. Este novo estudo mostra que 100 horas de treinamento de leitura intensiva melhoraram as competências de leitura das crianças e também elevaram a qualidade da matéria branca comprometida aos níveis normais.
"A integridade melhorada aumenta essencialmente a comunicação entre as duas áreas do cérebro que a substância branca conecta. Isso abre uma nova era de ser capaz de ver a mudança de ligação no cérebro quando um tratamento eficaz de treinamento é aplicado" , avaliou Just.

Das 72 crianças, 47 eram leitores com dificuldades e 25 eram com a leitura em um nível normal. Os bons leitores e um grupo de 12 leitores pobres não recebeu a instrução de reparação e o cérebro deles não apresentaram alterações. "A falta de mudança nos grupos de controle demonstra que a mudança no grupo tratado não pode ser atribuída à maturação que ocorre naturalmente durante o estudo", disse Keller.
Keller e Just também constataram que a quantidade de mudança na difusão entre o grupo tratado estava diretamente relacionada à quantidade de aumento da habilidade de decodificação fonológica. As crianças que apresentaram as maiores alterações na substância branca também mostraram a maior melhoria na habilidade de leitura, confirmando a ligação entre a alteração do tecido cerebral e o progresso da leitura.

Fonte: Isaude.net