Ciência e Tecnologia
09.04.2020

Smartphones rastreiam contatos recentes de pessoas infectadas pelo Covid-19

Usando sinais de Bluetooth, sistema vai notificar as pessoas que estiverem perto de um indivíduo infectado

magem Christine Daniloff, MIT
Sistema usa sinais de Bluetooth para localizar rede de contatos de infectados por Covid-19
Sistema usa sinais de Bluetooth para localizar rede de contatos de infectados por Covid-19

Imagine que você foi diagnosticado como positivo para Covid-19. As autoridades de saúde começam o rastreamento de contatos para conter infecções, solicitando que você identifique as pessoas com quem você esteve em contato próximo. As pessoas óbvias, que vêm à mente num primeiro momento, são sua família, colegas de trabalho. Mas, mesmo durante a quarentena, continuamos a ter contato com pessoas de quem não lembraremos. Isto pode acontecer durante uma breve ida ao banco ou ao supermercado.

Uma equipe liderada por pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) está desenvolvendo um sistema que aumenta este rastreamento "manual" de contato por autoridades de saúde pública, preservando a privacidade de todos os indivíduos.

O sistema depende de sinais Bluetooth de curto alcance emitidos pelos smartphones das pessoas envolvidas. Esses sinais representam seqüências aleatórias de números, comparadas a "emissões" que outros smartphones próximos podem se lembrar de terem "ouvido". Se uma pessoa tiver um resultado positivo, ela poderá enviar a lista de sons que o telefone divulgou nos últimos 14 dias para um banco de dados. Outras pessoas podem escanear o banco de dados para ver se algum desses sons corresponde aos que foram capturados pelos seus telefones. Se houver uma correspondência, uma notificação informará essa pessoa que ela pode ter sido exposta ao vírus e incluirá informações das autoridades de saúde pública sobre as próximas etapas a serem seguidas.

Todo esse processo é realizado, mantendo a privacidade daqueles que são positivos para o Covid-19 e aqueles que desejam verificar se estiveram em contato com uma pessoa infectada. "Eu acompanho o que transmiti e você acompanha o que ouviu, e isso nos permitirá dizer se alguém estava próximo de uma pessoa infectada", diz Ron Rivest, professor e diretor do MIT. "Mas para essas transmissões, estamos usando técnicas criptográficas para gerar números aleatórios e rotativos que não são apenas anônimos, mas pseudônimos, mudando constantemente sua 'ID', não permitindo o rastreamento até um indivíduo."

Essa abordagem para rastreamento de contatos automatizado e privado estará disponível de várias maneiras, inclusive por meio do primeiro trabalho lançado no MIT em resposta ao Covid-19 chamado SafePaths. Esse amplo conjunto de aplicativos móveis está em desenvolvimento por uma equipe liderada por Ramesh Raskar, do MIT Media Lab. O design do novo sistema baseado em Bluetooth se beneficiou dos primeiros trabalhos do SafePaths nessa área.

Fonte: MIT