Saúde Pública
29.10.2013

Esperma pegajoso pode ser a chave para o sucesso da fertilização in vitro

Pesquisa lançada no Reino Unido, com participação da USP, vai recrutar 3,7 mil casais para realizar a seleção de espermatozóide

Foto: Stock Photo
Objetivo do estudo é criar um novo método de fertilização in vitro que se baseia em escolher apenas espermatozóides maduros e férteis
Objetivo do estudo é criar um novo método de fertilização in vitro que se baseia em escolher apenas espermatozóides maduros e férteis

Pesquisadores da Universidade de Leeds acreditam que o esperma pegajoso poderia ser a chave para um maior sucesso dos tratamentos de fertilização in vitro.

O maior ensaio clínico realizado até o momento nesta área foi lançado nesta segunda-feira (28), primeiro dia da Semana Nacional de Conscientização sobre Infertilidade no Reino Unido.

O objetivo é criar um novo método de fertilização in vitro que se baseia em escolher apenas espermatozóides maduros e férteis com capacidade de ultrapassar uma placa de revestimento especial.

O revestimento é feito de ácido hialurônico, uma substância que ocorre naturalmente e é frequentemente utilizada em tratamentos clínicos com lubrificantes, por exemplo, nas articulações, incluindo os joelhos, e pela indústria cosmética, como componente de produtos de rejuvenescimento, como cremes para a pele.

Segundo David Miller, responsável pelo estudo, "é fascinante que uma substância com essas propriedades lubrificantes fortes possa ser pegajosa para alguns, mas não todos os espermatozoides. Esta propriedade paradoxal é o que dá ao esperma maduro e saudável a capacidade de agarrar-se ao revestimento que envolve o óvulo."

Em média, três em cada quatro ciclos de tratamento de fertilização in vitro para casais acabam em fracasso. O estudo vai testar este novo método de seleção na clínica de reprodução assistida, comparando-o com os métodos existentes.

Especialistas da Universidade de Leeds, juntamente com colegas dos laboratórios de pesquisa na Sheffield University, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Queen's, em Belfast, também vão investigar se este novo método de seleção baseado na viscosidade do esperma funciona, minimizando o risco de injeção de um espermatozóide que possa levar um DNA danificado até o óvulo.

O objetivo é recrutar 3.7 mil casais em 14 unidades de reprodução assistida no Reino Unido.

Fonte: Isaude.net