Ciência e Tecnologia
25.10.2013

Pela primeira vez, pesquisadores conseguem criar cabelo humano em laboratório

O novo método mistura a conhecida técnica de indução de células da papila dérmica com sistema de agrupamento encontrado em ratos

Reprodução: CUMC
Novo método oferece a possibilidade de induzir o aparecimento de um grande número de folículos pilosos ou rejuvenescimento de folículos existentes
Novo método oferece a possibilidade de induzir o aparecimento de um grande número de folículos pilosos ou rejuvenescimento de folículos existentes

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade Columbia (CUMC) desenvolveram um método de restauração capilar que pode gerar, pela primeira vez, crescimento natural de cabelo humano.

Segundo a pesquisadora Angela M. Christiano, o novo método oferece a possibilidade de induzir o aparecimento de um grande número de folículos pilosos ou rejuvenescimento de folículos existentes, começando com células cultivadas a partir de apenas algumas centenas de cabelos doadores. 'Podemos fazer o transplante com cabelos disponíveis para indivíduos com um número limitado de folículos, incluindo aqueles com perda padrão de cabelo feminino, alopecia cicatricial, e perda de cabelo devido à queimaduras.

De acordo com Christiano, estes tipos de pacientes recebem poucos benefícios dos medicamentos de perda de cabelo existentes, que tendem a diminuir a taxa de queda, mas não estimulam o crescimento de cabelo novo robusto. 'As células das papilas dérmicas favorecem o crescimento dos folículos pilosos. A clonagem destes folículos usando a indução de células da papila dérmica é uma técnica conhecida há mais de 40 anos, no entanto, uma vez que as células de papila dérmica são colocadas em uma cultura de tecido bidimensional convencional, elas são transformadas em células básicas da pele e perdem a sua capacidade para produzir os folículos capilares. Então, fomos confrontados com uma situação paradoxal: como expandir um número suficientemente grande de células para regeneração do cabelo mantendo suas propriedades indutivas.

Os pesquisadores descobriram uma pista para ultrapassar esta barreira nas suas observações de pelos de roedores. As papilas dos roedores podem ser facilmente colhidas, expandidas e transplantadas com sucesso de volta na pele dos animais. O motivo pelo qual os pelos dos roedores são facilmente transplantáveis, segundo os cientistas, é que suas papilas dérmicas (ao contrário da papila humana) tendem a agregar-se espontaneamente, ou formar grumos, em cultura de tecidos.

Com base na ação das papilas dos ratos, os cientistas buscaram uma forma de induzir a agregação das papilas humanas em culturas. Para testar a hipótese, eles colheram papilas dérmicas de sete doadores humanos e clonaram as células em cultura de tecidos sem adicionar fatores de crescimento. Após alguns dias, as papilas cultivadas foram transplantadas entre a derme e epiderme de pele humana enxertada nas costas de ratos. Em cinco dos sete testes, os transplantes resultaram em crescimento de cabelo novo, que durou, pelo menos, seis semanas. A análise do DNA confirmou que os novos folículos capilares foram humanos e geneticamente combinados com os doadores.

Esta abordagem tem o potencial de transformar o tratamento médico de perda de cabelo, disse Christiano. Medicamentos de perda de cabelo atuais tendem a retardar a perda dos folículos pilosos ou potencialmente estimular o crescimento de pelos existentes, mas eles não criam novos folículos capilares. Nem os transplantes de cabelo convencionais, que transferem um determinado número de cerdas a partir da parte de trás do couro cabeludo, traz uma solução mais definitiva. O método, em contraste, possui o potencial para criar novos folículos capilares, utilizando as células do próprio paciente. Isto poderia expandir grandemente a utilidade da cirurgia de restauração de cabelo para as mulheres e para pacientes mais jovens.

Antes que o método possa ser testado em seres humanos, os pesquisadores afirmam que é preciso estabelecer as origens das propriedades intrínsecas críticas dos cabelos recém-induzidos, tais como sua cinética do ciclo do cabelo, cor, ângulo, posicionamento e textura. Também é necessário estabelecer o papel das células epidérmicas hospedeiras com as quais as células da papila dérmica interagem, para formar as novas culturas.

A equipe está otimista com o início dos ensaios clínicos em um futuro próximo. O estudo é um passo importante em direção ao objetivo de criar uma pele com folículos pilosos para ser usada, por exemplo, em pacientes com queimaduras.

cumc
Pesquisadora Angela M. Christiano explica o processo de pesquisa

Fonte: Isaude.net