Geral
05.07.2013

Estudo usa DNA para diferenciar transmissores da Doença de Chagas

De acordo com a pesquisa desenvolvida na Fiocruz, a correta identificação dos vetores contribui para o seu controle

Foto: RIT DA
Cópula da espécies do gênero Rhodnius
Cópula da espécies do gênero Rhodnius

O primeiro estudo utilizando a metodologia conhecida DNA barcoding (código de barras do DNA) para diferenciar transmissores da Doença de Chagas foi desenvolvido no~Programa de Pós-graduação em Biodiversidade e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Por apresentarem grande importância epidemiológica na transmissão da doença de Chagas, as espécies de inseto do gênero Rhodnius estão entre as mais estudadas na subfamília Triatominae e a difícil diferenciação entre suas espécies permanece como desafio científico.

O processo de identificação das espécies, segundo a biológa Carolina Branco Dale Coutinho, responsável pela dissertação, é parte fundamental para o reconhecimento e descrição da biodiversidade. A correta identificação dos vetores e o desenvolvimento de métodos mais apurados para identificação das espécies, como a técnica do código de barras ao DNA, podem contribuir para o controle dos vetores. O gênero Rhodnius, em especial, vem ganhando destaque em função do aumento do número de casos da doença de Chagas na Amazônia brasileira. " Segundo os idealizadores, a nova ferramenta auxilia no mapeamento da biodiversidade e na taxonomia, independentemente de um treinamento mais profundo em taxonomia clássica, habilitando a identificação de uma espécie de forma rápida e fácil" ,

O desafio justifica a importância de um estudo que possa utilizar o código de barras de DNA dessas espécies como estratégia para diferenciá-las. " Espécies com características morfológicas semelhantes podem possuir capacidade vetorial distinta. O código de barras vai atuar na identificação dessas espécies já conhecidas, assim como auxiliará também na descoberta de novas" , diz Carolina Coutinho.

Extração do DNA

No estudo, foram utilizados insetos coletados em campo e exemplares depositados em Coleções Biológicas. Foi empregada técnica para a extração de DNA dos insetos que garantiu a integridade das amostras oriundas de coleções secas e úmidas, assegurando a preservação de exemplares com importância histórica e científica. Das 178 espécimes utilizados na pesquisa, 65 eram do gênero Rhodnius e as sequências genéticas obtidas foram conferidas com as já depositadas no GenBank, banco de dados online internacional de sequências genéticas.

O código de barras do DNA é um sistema projetado para fornecer de forma rápida, precisa e automatizada a identificação de espécies utilizando uma região padronizada de seu código genético. Para o trabalho, foi utilizado o gene mitocondrial conhecido como citocromo oxidase I (COI), marcador adotado na identificação global para os animais. " O citocromo oxidase I foi escolhido por fornecer informações filogenéticas mais acuradas de todos os filos animais" , explica a mestre.

O DNA de algumas amostras estava muito degradado, provavelmente pela forma de conservação dos insetos em coleções, o que dificultou a obtenção do sequenciamento dos mesmos.~ Contudo, os resultados das amostras de espécies de campo e de colônias demonstraram que as sequências de DNA das diferentes espécies de Rhodnius apresentam divergências esperadas no processo evolutivo de cada uma das espécies. " O padrão de divergência que encontramos em insetos de mesma espécie variavam de 0 a 2,6%, já em insetos de espécies diferentes variavam de 2,8 a 17,4%" , conclui a pesquisadora.

Fonte: Isaude.net