Ciência e Tecnologia
02.07.2013

Depressão muda reguladores da emoção no cérebro de crianças em idade pré-escolar

Pela primeira vez, estudo mostrou diferenças nas amídalas cerebrais de crianças entre 4 e 6 anos com depressão

Foto: Dmitriy Shironosov/Foto Stock
Pacientes com depressão apresentaram atividades elevadas na amígdala do cérebro, importantes no processamento das emoções
Pacientes com depressão apresentaram atividades elevadas na amígdala do cérebro, importantes no processamento das emoções

A estrutura fundamental do cérebro que regula as emoções funciona de forma diferente em pré-escolares com depressão, em comparação com crianças saudáveis da mesma idade, de acordo com nova pesquisa da Washington University School of Medicine, em St. Louis.

As diferenças, medidas através de Ressonância Magnética Funcional (RMf), fornecem a primeira prova de mudanças na função cerebral em crianças com depressão. Os pesquisadores dizem que as descobertas podem levar a formas de identificar e tratar as crianças deprimidas mais cedo, evitando problemas na vida adulta.

"Os resultados realmente mostram que essas crianças estão sofrendo de uma doença muito real que requer tratamento. Acreditamos que este estudo demonstra que há diferenças nos cérebros destas crianças muito jovens e que eles podem marcar o início de um problema ao longo da vida," disse o responsável pelo estudo Michael S. Gaffrey.

Os pacientes com depressão apresentaram atividades elevadas na amígdala do cérebro, um conjunto de neurônios em forma de amêndoa, importantes no processamento das emoções. Estudos de imagem anteriores identificaram mudanças semelhantes na região da amígdala em adultos, adolescentes e crianças mais velhas com depressão, mas não havia nenhum estudo para pré-escolares.

No levantamento atual, foram analisadas 54 crianças com idades entre 4 a 6. Antes do início do estudo, 23 dessas crianças tinham sido diagnosticadas com depressão, as demais 31 não. Nenhuma das crianças do estudo tinha tomado medicação antidepressiva.

Enquanto estavam no scanner Rmf, as crianças foram instruídas a olhar para fotos de pessoas cujas expressões faciais transmitiam emoções particulares. Havia rostos com expressões felizes, tristes, com medo e neutro.

"A região da amígdala mostrou atividade elevada quando as crianças deprimidas viam imagens de rostos de pessoas. Nós vimos a mesma atividade elevada independentemente do tipo de rosto mostrado. Assim, elas não reagiram apenas para rostos tristes ou rostos felizes, mas todos os rostos que viam despertava a atividade na amígdala," afirmou Gaffrey.

"O mesmo aumento da atividade da amígdala também foi associado com os pais relatando mais tristeza e dificuldades de regulação das emoções em seus filhos. Os resultados sugerem que podemos estar vendo um exagero do que deveria ser uma resposta de desenvolvimento normal no cérebro," completa o pesquisador.

O estudo está publicado na edição de julho do Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry

Fonte: Isaude.net