Ciência e Tecnologia
26.06.2013

Terapia inédita melhora qualidade do sangue usado em transfusões

Tratamento que restaura níveis óxido nítrico aumenta fluxo sanguíneo no tecido e transporte de oxigênio após transfusão

Foto: Alexander Podshivalov/Foto Stock
Descoberta tem potencial para reduzir drasticamente os efeitos nocivos das transfusões de sangue
Descoberta tem potencial para reduzir drasticamente os efeitos nocivos das transfusões de sangue

Pesquisadores da Case Western Reserve University of Medicine, nos EUA, desenvolveram uma abordagem capaz de restaurar o óxido nítrico (NO) no sangue doado.

A descoberta tem potencial para reduzir drasticamente os efeitos nocivos das transfusões de sangue. Segundo os pesquisadores, a restauração dos níveis sanguíneos de NO em animais antes da transfusão melhorou o fluxo sanguíneo no tecido, o transporte de oxigênio e a função renal.

Os resultados foram publicados na revista PNAS.

A transfusão de sangue é muitas vezes usada para substituir o sangue perdido por um trauma, mas também pode completar carências do próprio doente para produzir sangue devido ao câncer e outras doenças.

Cada vez mais, as publicações de pesquisas médicas associam transfusões com consequências prejudiciais, incluindo ataques cardíacos, insuficiência renal e morte. A explicação convincente apresentada na literatura é que a quantidade de NO diminui rapidamente após a doação, porque tem uma vida útil curta. Normalmente, NO dilata os vasos sanguíneos e permite que as células vermelhas do sangue acessem o tecido e entreguem oxigênio.

No sangue, NO existe em uma forma bioativa chamada S-nitrosohemoglobin (SNO-Hb).

Agora, Jonathan Stamler e seus colegas desenvolveram um processo único para restaurar SNO-Hb, chamada terapia renitrosylation, que poderia ter benefícios significativos para milhões de pacientes.

"Na medida em que a oferta mundial de sangue é deficiente em SNO-Hb, os esforços para restaurar seus níveis podem ser uma grande promessa terapêutica. Um aspecto importante do nosso estudo é a percepção de que o conhecimento do estado de SNO-Hb no sangue depositado pode ser utilizado para avaliar a eficácia de uma transfusão", afirma Stamler.

Segundo os pesquisadores, esta informação permitiria aos médicos distinguir entre doações de sangue que podem causar daquelas que terão efeitos restauradores.

A equipe sugere que a perda de NO compromete a capacidade de dilatar os vasos sanguíneos e, assim, fornecer oxigênio aos tecidos, o que é crítico para a sobrevivência. Os glóbulos vermelhos sem NO se ligam a pequenos vasos sanguíneos e causam ataques cardíacos e insuficiência renal. Em contraste, a restauração de NO garantiria a oferta de oxigênio.

O estudo demonstrou que camundongos, ratos e ovelhas que receberam sangue depositado sem tratamento tiveram menores níveis de oxigênio no músculo esquelético e outros tecidos, exatamente o oposto do que teria sido previsto. Em contraste, nos animais transfundidos com células sanguíneas tratadas, apresentaram melhor oxigenação dos tecidos.

Além disso, os investigadores aplicaram o mesmo tratamento com os animais anêmicos e notaram melhora do fluxo sanguíneo, oxigenação dos tecidos e na função renal.

Os resultados demonstram que a recuperação dos níveis de NO no sangue pode ser útil no tratamento e prevenção de uma grande variedade de condições, incluindo acidentes vasculares cerebrais, ataques cardíacos e danos nos rins após a cirurgia, além de doença falciforme, malária e outras doenças do sangue.

Fonte: Isaude.net