Geral
23.06.2013

Gás hilariante usado como anestésico não desencadeia ataques cardíacos

O óxido nitroso, mais conhecido como gás hilariante, é um dos anestésicos mais antigos e mais utilizados do mundo

Foto: Washington University School of Medicine
Peter Nagele, líder da pesquisa
Peter Nagele, líder da pesquisa

O uso do gás hilariante como anestésico não aumenta o risco de ataque cardíaco durante ou após cirurgias, de acordo com pesquisadores da Washington University School of Medicine, nos EUA.

O óxido nitroso, mais conhecido como gás hilariante, é um dos anestésicos mais antigos e mais utilizados do mundo.

As descobertas foram publicadas na revista Anesthesiology.

"É sabido há muito tempo que o gás hilariante inativa a vitamina B12 e, com isso, aumenta os níveis sanguíneos do aminoácido homocisteína. Isso era suposto para aumentar o risco de um ataque cardíaco durante e após a cirurgia, mas não encontramos nenhuma evidência disso neste estudo", afirma o principal autor da pesquisa Peter Nagele.

O óxido nitroso é normalmente utilizado como um adjuvante durante a anestesia geral, porque o fármaco, por si só, não é suficientemente forte para manter o paciente inconsciente durante os procedimentos cirúrgicos. A influência da droga em vitaminas do complexo B e de homocisteína está relacionada aos seus efeitos anestésicos.

Nagele e seus colegas acompanharam 500 pacientes submetidos a cirurgia no Hospital Barnes-Jewish, em St. Louis, que haviam sido diagnosticados com doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca ou outros problemas de saúde que poderiam contribuir para um ataque cardíaco.

Todos os participantes do estudo passaram por cirurgia não cardíaca e receberam anestesia com óxido nitroso.

Os pacientes foram divididos em dois grupos. Metade recebeu vitamina B12 por via intravenosa e ácido fólico para ajudar a prevenir o aumento nos níveis de homocisteína durante a cirurgia. Os outros não receberam as vitaminas B intravenosa.

"Não houve diferenças entre os grupos no que diz respeito ao risco de ataque cardíaco. As vitaminas B impediram os níveis de homocisteína de subir, mas isso não influenciou o risco de ataque cardíaco", destaca Nagele.

Para detectar ataques cardíacos durante e após a cirurgia, os pesquisadores monitoraram um marcador de lesão cardíaca, troponina I, por 72 horas. Um aumento nos níveis de troponina indica danos no coração. Mas eles não encontraram nenhuma ligação entre homocisteína dos pacientes e os níveis de troponina.

O estudo também analisou variações genéticas que, naturalmente, aumentam a homocisteína. Indivíduos com as variantes comuns no gene MTHFR já produzem homocisteína em excesso. Se as pessoas com as variantes obtém anestesia com óxido nitroso, seus níveis podem subir ainda mais.

No entanto, apenas 3,1% de pacientes com as variantes genéticas de alto risco tiveram ataques cardíacos, durante ou após a cirurgia, em comparação com 4,7% dos pacientes que não tinham as variantes de risco. Nem a variação genética nem o tratamento com vitaminas B tiveram um efeito sobre os níveis de troponina após a cirurgia.

Fonte: Isaude.net