Geral
20.06.2013

Adoçante artificial é arma potencial contra a doença de Parkinson

Estudo dos EUA revela que manitol pode evitar a formação de aglomerados de proteínas tóxicas no cérebro

Foto: Umberto Leporini/Foto Stock
Manitol que aglomerados da proteína a-sinucleína se formem no cérebro
Manitol que aglomerados da proteína a-sinucleína se formem no cérebro

Cientistas da American Friends Tel Aviv University, nos EUA, descobriram que um adoçante artificial muito utilizado pode ajudar a prevenir o aparecimento da doença de Parkinson.

A pesquisa demonstra que o manitol, álcool de açúcar produzido por fungos, bactérias e algas e componente comum de goma de mascar sem açúcar impede que aglomerados da proteína a-sinucleína se formem no cérebro, processo que é característico do Parkinson.

Os resultados sugerem que este adoçante artificial poderia ser uma nova terapia para o tratamento do mal de Parkinson e outras doenças neurodegenerativas.

A pesquisa foi publicada no Journal of Biological Chemistry.

Depois de identificar as características estruturais que facilitam o desenvolvimento de aglomerados de a-sinucleína, os pesquisadores começaram a buscar um composto que pode inibir a capacidade das proteínas se unirem. No laboratório, eles descobriram que o manitol estava entre os agentes mais eficazes na prevenção da agregação de proteínas em tubos de ensaio. "O benefício desta substância é que ela já está aprovada para utilização em uma variedade de intervenções clínicas", afirma o pesquisador Daniel Segal.

Em seguida, para testar as capacidades do manitol no cérebro vivo, os investigadores se voltaram para moscas de fruta transgênicas concebidas para transportar o gene humano para a-sinucleína.

Para medir o movimento das moscas, eles usaram um ensaio denominado "ensaio de escalada", na qual a capacidade de moscas para subir as paredes de um tubo de ensaio indica a sua capacidade de locomoção. No período experimental inicial, 72% das moscas normais foram capazes de subir o tubo de ensaio, em comparação com apenas 38% das moscas geneticamente alteradas.

Os pesquisadores então adicionaram manitol à comida das moscas geneticamente alteradas por um período de 27 dias e repetiram a experiência. Desta vez, 70% das moscas mutantes podiam subir o tubo de ensaio. Além disso, os investigadores observaram uma redução de 70% em agregados de a-sinucleína em moscas mutantes que tinham sido alimentadas com o manitol, em comparação com as que não tinham recebido a substância.

Os resultados da pesquisa foram confirmados por um segundo estudo que mediu o impacto de manitol em ratos geneticamente modificados para produzir a-sinucleína humana, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de San Diego, nos EUA. Após quatro meses, os pesquisadores descobriram que os camundongos injetados com manitol também mostraram uma redução dramática nos níveis de a-sinucleína no cérebro.

Os pesquisadores agora planejam reexaminar a estrutura do composto manitol e introduzir modificações para otimizar sua eficácia. Outros experimentos em modelos animais, incluindo o teste comportamental, são necessários, de acordo com eles.

Fonte: Isaude.net