Geral
16.06.2013

Cabecear a bola com frequência no futebol causa lesões cerebrais a longo prazo

Jogadores que cabeceiam muito a bola têm danos cerebrais semelhantes aos encontrados em pacientes com traumatismo

Foto: Durand Julien/Foto Stock
Jogadores de futebol que cabeceiam a bola muitas vezes têm anormalidades cerebrais semelhantes àquelas encontradas em pacientes com concussão
Jogadores de futebol que cabeceiam a bola muitas vezes têm anormalidades cerebrais semelhantes àquelas encontradas em pacientes com concussão

Pesquisadores do Albert Einstein College of Medicine of Yeshiva University demonstraram que cabecear muito a bola no futebol pode causar lesões cerebrais.

A pesquisa revela que jogadores de futebol que cabeceiam muito a bola têm anormalidades cerebrais semelhantes àquelas encontradas em pacientes com concussão (traumatismo crânio-encefálico leve).

O estudo, que utilizou técnicas avançadas de imagem e testes cognitivos que avaliaram memória, foi publicado na revista Radiology.

"Nós estudamos os jogadores de futebol porque o futebol é o esporte mais popular do mundo. O futebol é amplamente jogado por pessoas de todas as idades e há a preocupação de que cabecear a bola, componente chave do esporte, pode danificar o cérebro", afirma o autor da pesquisa Michael Lipton.

Em média, os jogadores de futebol cabeceiam a bola de seis a 12 vezes durante os jogos, onde as bolas podem viajar a velocidades de mais de 50 quilômetros por hora. Durante a prática de exercícios, os jogadores geralmente cabeceiam a bola 30 vezes ou mais. O impacto de uma única cabeçada não é provável de causar danos cerebrais traumáticos, tais como dilaceração das fibras nervosas. Mas os cientistas temem que os danos cumulativos de impactos repetidos podem ser clinicamente significativos. "O cabeceio repetitivo poderia desencadear uma cascata de reações que leva à degeneração das células cerebrais ao longo do tempo", observou Lipton.

Para estudar possíveis lesões cerebrais derivadas do cabeceio da bola, os pesquisadores usaram tensor de difusão (DTI), técnica de imagem baseada em ressonância magnética avançada, em 37 jogadores de futebol amadores adultos (idade média de 31 anos) que tinham praticado esporte desde a infância. Os participantes relataram jogar futebol por um período médio de 22 anos e tinham jogado uma média de 10 meses no ano anterior. Os pesquisadores classificaram os jogadores com base na frequência dos cabeceios e, em seguida, compararam as imagens cerebrais dos cabeceadores mais frequentes com a dos restantes jogadores. Todos os participantes foram submetidos a testes cognitivos.

O exame de DTI "visualiza" o movimento das moléculas de água dentro e ao longo dos axônios, fibras nervosas que constituem a matéria branca do cérebro. Esta técnica de imagem permite aos pesquisadores medir a uniformidade do movimento da água (chamada anisotropia fracionada, ou FA) em todo o cérebro. FA anormalmente baixa na substância branca indica lesão axonal e tem sido associada com comprometimento cognitivo em pacientes com lesão cerebral traumática.

Os resultados do exame mostraram que os cabeceadores frequentes têm anormalidades da substância branca semelhantes às vistas em pacientes com concussão. Os jogadores de futebol que cabeceavam a bola acima de um limite entre 885 a 1.550 vezes por ano tinham significativamente menor FA em três áreas da substância branca temporal occipital.

Segundo Lipton, os jogadores com mais de 1.800 cabeçadas por ano também foram mais propensos a demonstrar pior memória em comparação com os participantes com menos cabeceios anuais. "Nosso estudo fornece evidências preliminares convincentes de que mudanças no cérebro semelhantes à lesão cerebral traumática leve estão associadas com a frequência com que um jogador cabeceia a bola ao longo de muitos anos. Enquanto mais pesquisas são necessárias, nossos resultados sugerem que o controle da quantidade de cabeceios pode ajudar a prevenir a lesão cerebral", conclui Lipton.

Fonte: Isaude.net