Ciência e Tecnologia
14.06.2013

Casos de melanomas aumentaram 171%. Tempo de diagnóstico de 4 anos é "alarmante"

A afirmação é resultado de pesquisa da Unesp Botucatu, a partir de levantamento com base em 195 diagnóticos realizados em 10 anos

A forma como os diversos tipos de melanoma se manisfestam têm relação direta com o prognóstico e tratamento da doença, que tem um "alarmente" tempo médio de diagnóstico de 4,04 anos, a partir de seu aparecimento.

As afirmações são resultado do estudo realizado na Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB/Unesp). O levantamento teve como base 195 diagnósticos feitos na Dermatologia da FMB ao longo de uma década, comprovando um aumento de 171% nos casos da doença entre 1999 e 2011.

O levantamento tem objetivo de ampliar os conhecimentos à respeito de um recurso amplamente utilizado para a análise das lesões: os marcadores imuno-histoquímicos de progressão tumoral.

" Marcadores imuno-histoquímicos são anticorpos específicos - anti Bcl-2, anti p-53, anti Ki-67 e HMB-45, no caso dessa pesquisa - que reagem com o tecido analisado se os antígenos contra os quais foram produzidos estiverem presentes, estabelecendo uma ligação antígeno-anticorpo" , disse Sílvio Alencar Marques, professor titular do Departamento de Dermatologia e Radioterapia da FMB e responsável pelo estudo.

Outro índice em elevação é o da frequência do subtipo melanoma acral lentiginoso, com avanço de 13%. Próprio de peles morenas e de orientais, ele impõe desafios extras ao diagnóstico clínico, uma vez que é menos conhecido por médicos generalistas e, portanto, tem maiores chances de diagnósticos tardios.

A pesquisa

O trabalho começou com o estudo clínico e demográfico de 195 prontuários de pacientes da FMB (todos com melanomas retirados pelo serviço de Dermatologia e analisados pelo setor de Patologia, entre os anos de 2000 e 2010).

" Esse intervalo de espera de pouco mais de 4 anos é assustador e tem impacto muito negativo no prognóstico dos casos. Além disso, demonstra ausência de educação sanitária dos indivíduos propensos ao melanoma - de pele muito clara e com muitos nevos (pintas) e provável deficiência no conhecimento médico sobre os sinais de suspeita de lesões malignas" , disse Marques.

A segunda parte da pesquisa envolveu a análise dos melanomas. Para tanto, as biópsias foram separadas em quatro subtipos principais: 1) melanoma extensivo superficial, em tese de melhor prognóstico, pois tende a crescer por mais tempo no sentido horizontal, com invasão de tecido mais tardia; 2) lentigo maligno melanoma, que ocorre em pacientes de terceira idade com pele clara e em áreas expostas ao sol, também com bom prognóstico (em tese) graças ao crescimento horizontal por longo período antes de invadir o tecido; 3) melanoma acral lentiginoso, localizado nas palmas das mãos, nas plantas dos pés e embaixo das unhas, próprio de pacientes negros, pardos e orientais; e 4) melanoma nodular, o de pior prognóstico, pois invade depressa os tecidos mais profundos da pele e provoca metástases precocemente.

Após essa separação, os pesquisadores escolheram um número representativo de cada subtipo e realizaram a imunomarcação. Ou seja, os anticorpos anti Bcl-2, anti p-53, anti Ki-67 e HMB-45 foram aplicados às amostras a fim de que a equipe avaliasse as respectivas reações. " Utilizamos uma técnica chamada avidina biotina peroxidase, em que a coloração da célula marcada positiva fica marrom escura, em contraste com a célula não marcada, que fica de coloração azul tênue" , completa Marques.

Fonte: Isaude.net