Profissão Saúde
10.06.2013

15% dos endoscópios reutilizáveis estão contaminados com bactérias nocivas

Estudo realizado nos EUA revela falha nos processos de limpeza e indica risco potencial para os pacientes

Três em cada 20 endoscópios utilizados para exames gastrointestinais abrigam níveis inaceitáveis de "bio sujeira", células e materiais do corpo de um paciente, que poderia representar risco potencial de infecção, de acordo com estudo realizado em cinco hospitais dos Estados Unidos.

A equipe da 3M Infection Prevention Division analisou 275 duodenoscópios flexíveis, gastroscópios e colonoscópios e descobriu que 30%, 24% e 3%, respectivamente, não passaram em uma classificação de limpeza.

"Três em cada 20 é um número inesperadamente elevado de endoscópios com falta de critério de limpeza. Claramente, não gostaríamos que nenhum endoscópio não passasse na classificação de limpeza", afirma o investigador principal Marco Bommarito.

Nos últimos anos tem havido relatos de endoscópios indevidamente limpos nos serviços de saúde em todo o país, incluindo na Veterans Administration, em que milhares de pacientes necessitaram de testes para HIV, bem como a hepatite B e C.

De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), que publicou as diretrizes para reprocessamento de endoscópios em 2008, mais surtos de saúde têm sido associados a endoscópios contaminados do que qualquer outro dispositivo médico.

Anualmente entre 15 e 20 milhões de procedimentos endoscópicos são realizados com endoscópio reutilizáveis para rastrear vários componentes do aparelho gastrointestinal de um paciente. Estes dispositivos permitem que os profissionais de saúde investiguem a superfície deste órgão e identifiquem problemas como pólipos ou câncer de cólon.

Depois que um endoscópio é utilizado para um procedimento, ele é enviado para limpeza antes de ser reutilizado com outro paciente. Este reprocesso envolve duas etapas: a primeira limpeza, manual com um detergente enzimático e fricção por um técnico do hospital e, segundo, mergulhar o dispositivo em um desinfetante de alto nível.

O primeiro passo é essencial para assegurar que o processo de desinfecção seja eficaz. Após o fim da limpeza manual, o técnico inspeciona visualmente o instrumento para garantir a limpeza. No entanto, este estudo mostrou que a contaminação pode permanecer no dispositivo e pode ser invisível a olho nu.

No estudo, após o passo do processo de descontaminação e desinfecção de limpeza manual, os técnicos de limpeza em cinco hospitais nos EUA foram solicitados a lavar os dispositivos com água estéril, e esta amostra foi analisada pelos investigadores para o trifosfato de adenosina (ATP), marcador de contaminação biológica.

A quantidade de ATP, em unidades de luz relativas (RLUs), foi medida, com um limite para "aprovado / reprovado" fixado em 200 RLUs.iii, iv. Quaisquer instrumentos com mais de 200 RLUs foram identificados como com falha de limpeza.

"Os protocolos de limpeza para endoscópios flexíveis precisam de melhorias, tais como orientações adaptadas ao tipo de dispositivo ou identificar se há falta de um passo crítico no processo de limpeza manual, além de documentar as medidas de controle de qualidade. Estes tipos de melhorias poderiam ter um impacto positivo na segurança do paciente", conclui Bommarito.

A pesquisa foi apresentada na 40ª reunião anual da Association for Professionals in Infection Control and Epidemiology (APIC).

Fonte: Isaude.net