Ciência e Tecnologia
05.06.2013

Equipe cria técnica não invasiva que permite manipular a memória

Método pode substituir medicamentos usados no tratamento de condições como transtorno de estresse pós-traumático

Foto: Iowa State University
Jason Chan usa clipes de vídeo para testar a recuperação da memória no laboratório.
Jason Chan usa clipes de vídeo para testar a recuperação da memória no laboratório.

Uma série de estudos realizados por pesquisadores da Universidade de Iowa, nos EUA, revelou que é possível manipular a memória existente simplesmente sugerindo informações novas ou diferentes.

Técnica não invasiva de manipular a memória pode substituir medicamentos, que muitas vezes têm efeitos colaterais, no tratamento de condições como transtorno de estresse pós-traumático.

"Se você reativar uma memória recuperando-a, essa memória torna-se suscetível a mudanças novamente. E se nesse momento você fornecer às pessoas novas informações contraditórias, isso pode tornar a memória original muito mais difícil de ser recuperada depois", observa o pesquisador Jason Chan.

A pesquisa foi publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Uma das principais conclusões dos estudos é o impacto sobre a memória declarativa, memória que pode ser conscientemente lembrada e verbalmente descrita, como o que você fez na semana passada. Os efeitos são poderosos porque as pessoas estão recuperando a memória e, em seguida, incorporando novas informações.

Chan e a pesquisadora Jessica LaPaglia testaram o impacto de novas informações quando apresentadas em diferentes intervalos de tempo após a recuperação da memória original.

Se a nova informação é inserida de imediato, a memória pode ser alterada. No entanto, não houve qualquer efeito sobre a memória original quando a informação foi apresentada após 48 horas. Segundo Chan, com base em outros estudos, parece que há uma janela de seis horas antes de a memória ser reconsolidada após a recordação e não poder ser alterada.

"Durante esse período de reconsolidação é quando a memória é fácil de ser alterada. Uma vez que a janela se fecha e a memória se torna estável novamente, se você receber nova informação, ela não deve interferir com a memória original", afirma Chan.

Impacto fora de um ambiente experimental

Para os estudos, os participantes assistiram a um episódio de 40 minutos do programa de TV "24 Horas", no qual um terrorista usa uma agulha hipodérmica para atacar uma aeromoça. Eles foram, então, testados para reativar a memória do programa. Após o teste, os participantes ouviram uma recapitulação de áudio que incluiu detalhes diferentes, tais como o terrorista usando uma arma de choque em vez de uma agulha. De acordo com Chan, os participantes tiveram dificuldade em lembrar a agulha quando perguntados sobre isso em um teste, mas apenas se eles tivessem recordado da agulha antes de ouvir sobre a arma de choque.

A equipe acredita que a pesquisa fornece uma melhor compreensão de como processar novas informações que são aprendidas no trabalho ou na escola. Isso pode afetar o modo como os alunos se lembram do material para um exame.

Em estudos futuros, Chan e seus colegas planejam identificar formas para a utilização desta técnica não invasiva de manipular a memória em vez de usar medicamentos que muitas vezes têm efeitos colaterais em casos de transtorno de estresse pós-traumático, por exemplo. Chan afirma que o método pode ser direcionado a memórias indesejáveis específicas, preservando outras que são menos traumáticas.

Fonte: Isaude.net