Profissão Saúde
02.06.2013

Quase metade dos oncologistas americanos sofre com a síndrome de Burnout

O estudo com 3 mil profissionais mostra que, apesar destes índices, o nível de satisfação com a carreira é alto

Mesmo relatando alta satisfação com suas carreiras, estudo divulgado durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) , em Chicago, mostra que quase metade dos oncologistas americanos afirmam ter experimentado pelo menos um sintoma da síndrome de Burnout.

"Oncologia pode ser uma área extremamente gratificante da medicina, mas cuidar de pacientes com câncer também é muito estressante. Os oncologistas trabalham longas horas, administram terapia altamente tóxica, e convivem continuamente com sofrimento e morte. Por isso, é importante estudar a incidência da síndrome de Burnout e os índices de satisfação com a carreira," afirma o responsável pela pesquisa, o oncologista Tait Shanafelt.

O estudo foi baseado em uma pesquisa nacional com 3 mil oncologistas membros da ASCO, entre Outubro de 2012 e Janeiro de 2013. Os resultados mostram que 45% dos oncologistas tiveram pelo menos um sintoma de Burnout. Esses sintomas incluíam exaustão emocional e despersonalização, medido através do Maslach Burnout Inventory, uma ferramenta que é utilizada para avaliar os efeitos do estresse em profissionais médicos além de trabalhadores de outras áreas.

Ao mesmo tempo, 83% dos oncologistas disseram que estavam satisfeitos com a sua carreira. A amostra da pesquisa incluiu um número igual de homens e mulheres e uma proporção igual de indivíduos de todas as fases da carreira. Entre os integrantes do estudo, 34% trabalhavam em centros médicos acadêmicos e 43% em consultório particular. O restante desenvolvia sua função em serviço militar, com os veteranos, ou na indústria. Em média, eles trabalhavam 51 horas, realizando cerca de 51 atendimentos ambulatoriais por semana.

Embora o número médio de horas trabalhadas por oncologistas em centros médicos acadêmicos e em consultórios particulares seja bem parecido, cerca de 83% dos oncologistas dos centros acadêmicos relataram foco em atendimento de pacientes com um tipo específico de câncer, em comparação com 17% dos oncologistas em consultório particular.

Os profissionais que desempenham suas atividades em centros acadêmicos também dedicam uma proporção muito maior de seu tempo à pesquisa e educação, enquanto os que trabalham em consultórios particulares dedicam a maior parte de seu tempo no atendimento ao paciente. Assim, os profissionais da prática privada atendem 74 pacientes por semana contra 34 atendimentos realizados por aqueles que realizam suas atividades em centros acadêmicos.

Os autores recomendam mais pesquisas para identificar as características pessoais e profissionais associados ao Burnout e satisfação profissional.

Fonte: Isaude.net