Ciência e Tecnologia
01.06.2013

Cuba e Argentina desenvolvem vacina para câncer de pulmão

Produto estará disponível para comercialização em julho. Brasil é um dos 25 países que se interessaram pela fabricação

Pesquisadores argentinos e cubanos desenvolveram vacina para combater câncer de pulmão.

Batizada com o nome de Racotumomab, ela foi testada em ensaios clínicos controlados e triplicou a índice de doentes que continuaram vivos dois anos após sua aplicação. É indicada para casos de câncer do pulmão avançados ou com metástases, em doentes que receberam tratamentos de quimioterapia e radioterapia e se encontram estáveis.

Mais de 90 especialistas, incluindo do Instituto de Imunologia Molecular de Havana, trabalharam na identificação de um antígeno (partícula ou molécula capaz de iniciar uma resposta imune) e no desenvolvimento de um anticorpo monoclonal, que, "ao induzir o corpo a reagir a esse antígeno, ataca o tumor e as suas metástases, mas não o tecido normal", segundo informações do o laboratório argentino Insud, um dos integrantes do projeto.

" A vacina reativa o sistema imunológico do paciente, para que ele possa criar anticorpos contra as células cancerígenas. Não substitui tratamentos existentes, como quimioterapia ou radioterapia. Mas contribui para aumentar a sobrevida do paciente" , disse o médico Daniel Alonso, um dos responsáveis pelo estudo na argentina.

Segundo Alonso, a maioria dos pacientes só descobre que tem a doença quando o câncer no pulmão está em estado avançado. Como os tumores são provocados por células do próprio organismo, que sofreram mutação, o sistema imunológico não detecta um corpo estranho e, portanto, não reage. Os médicos usam quimioterapia e radioterapia para matar as células cancerígenas, mas os dois tratamentos também destroem outros tecidos.

O medicamento, resultado de 18 anos de pesquisa, começa a ser comercializado na Argentina em julho. Laboratórios de 25 países, entre eles o Brasil, México e Uruguai estão interessados em obter a licença de fabricação.

O câncer de pulmão é um dos mais agressivos e mata 1,38 milhão de pessoas por ano no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A vacina foi desenvolvida por um consórcio de empresas privadas e do setor público, da Argentina e de Cuba.

Fonte: Isaude.net