Profissão Saúde
31.05.2013

Hospital do MSF é detruído no Sudão.Brasileiro trabalhou no local até há 15 dias

Mais de 100 mil pessoas ficaram sem atendimento na cidade de Pibor. Cerca de 3 mil foram tratadas no hospital este ano

Foto: MSF
Hospital de Médicos Sem Fronteiras foi destruído em Pibor, no Sudão do Sul
Hospital de Médicos Sem Fronteiras foi destruído em Pibor, no Sudão do Sul

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) teve seu hospital na cidade de Pibor, no Sudão do Sul, destruído em meio ao conflito armado entre o SPLA, exército do Sudão do Sul, e a milícia armada David YauYau.

De acordo com informações da instituição, a destruição foi " intencionalmente conduzida para tornar a instalação de saúde inoperante, levando cerca de 100 mil pessoas a ficarem sem atendimento."

Alimento terapêutico e leitos foram roubados do hospital durante a segunda semana de maio. " Um esforço tremendo foi feito para destruir o estoque de medicamentos, para cortar e derrubar as tendas dos armazéns, para saquear as alas do hospital e até mesmo para cortar cabos de eletricidade, arrancando-os das paredes" , conta Richard Veerman, coordenador de operações de MSF no Sudão do Sul.

O hospital de MSF é a única instalação hospitalar na província de Pibor; a alternativa mais próxima fica a mais de 150 km dali. Três mil pacientes foram tratados nos primeiros três meses do ano nesse hospital. Mais de 100 pacientes, inclusive soldados do SPLA, foram submetidos a cirurgias para ferimentos de guerra.

Médico brasileiro trabalhou no local

O médico brasileiro Marcos Leitão, morador de em Santa Bárbara do Oeste, interior de São Paulo, trabalhou na administração do escritório do projeto de MSF em Pibor por um mês. Ele saiu do local cerca de 15 dias antes da destruição. " O hospital fica bem no fronte, onde soldados do governo e a milícia armada se enfrentam, e quem mais sofre é a população local" , diz. " Trabalhávamos ouvindo tiros," afirma.

Anteriormente, ele esteve em países como Níger, com projeto de vacinação contra meningite; Haiti, durante epidemia de cólera; e Afeganistão, onde MSF teve que suspender os atendimentos por conta de uma bomba caseira dentro do hospital. No entanto, segundo ele, em três anos de trabalho com a organização nunca presenciou situação tão triste.

Apesar de não lidar com pacientes diretamente, Marcos acompanhou de perto casos como o de uma mãe que chegou ao hospital de MSF em estado de choque depois de, junto com o seu bebê, ter sido alvo de tiros. " Ela não chegou a ser baleada, mas estava absolutamente exausta em estado de choque depois de andar três dias e três noites com seu bebê nas costas. Eles não tinham água nem comida. A sola do pé dela estava queimada de andar descalça na areia quente e as roupas estavam rasgadas. Ela não conseguia andar direito e nem contar o que tinha acontecido," completou.

Fonte: Isaude.net