Geral
31.05.2013

Baixas doses de ingrediente da maconha impedem danos cerebrais após lesões

Dose até 10 mil vezes menor que a de um cigarro de maconha dada 7 dias antes ou 3 dias após lesão preserva função cognitiva

Foto: Foto Stock
Ingrediente psicoativo da maconha é capaz de controlar danos cerebrais
Ingrediente psicoativo da maconha é capaz de controlar danos cerebrais

Equipe de pesquisadores da Tel Aviv University's American Friends, nos EUA, demonstrou que um ingrediente psicoativo da maconha é capaz de controlar danos cerebrais.

Os resultados sugerem que baixíssimas doses de THC protege o cérebro de danos cognitivos de longo prazo, após ferimentos causados por hipóxia (falta de oxigênio), convulsões ou drogas tóxicas.

A lesão cerebral pode ter consequências que vão desde déficits cognitivos leves a danos neurológicos graves.

Trabalho foi publicado na revista Behavioural Brain Research.

Estudos anteriores focaram em injetar altas doses de THC dentro de um prazo muito curto, cerca de 30 minutos, antes ou após a lesão. A pesquisa atual demonstrou que mesmo doses extremamente baixas de THC, cerca de 1 mil a 10 mil vezes menor do que a dose presente em um cigarro de maconha convencional, administradas de 1 a 7 dias antes ou 1 a 3 dias após a lesão pode alavancar processos bioquímicos que protegem as células do cérebro e preservam da função cognitiva ao longo do tempo.

"Este tratamento, especialmente devido ao longo período de tempo para administração e à baixa dosagem, pode ser aplicável a diversos casos de lesão cerebral e ser mais seguro ao longo do tempo", afirma o pesquisador Yosef Sarne.

A equipe descobriu que o ingrediente tem um grande impacto na sinalização celular, prevenindo a morte celular e promovendo os fatores de crescimento. Esta constatação conduziu a uma série de experiências para testar a capacidade neuroprotectora do THC em resposta a várias lesões cerebrais.

Em laboratório, os investigadores injetaram uma única dose baixa de THC em ratos antes ou depois de expô-los a um trauma cerebral. Um grupo de ratos controle sofreu a lesão cerebral, mas não recebeu o tratamento com THC. Quando os ratos foram examinados 3 a 7 semanas após a lesão inicial, os que receberam o tratamento com THC tiveram melhor desempenho em testes comportamentais que medem o aprendizado e a memória. Além disso, estudos bioquímicos demonstraram quantidades elevadas de produtos químicos neuroprotetores no grupo de tratamento comparado com o grupo de controle.

Os investigadores concluíram que o uso de THC pode impedir danos cognitivos de longo prazo que resultam de uma lesão cerebral. "Uma explicação para esse efeito é o pré e pós-condicionamento, quando a droga causa danos no cérebro para construir a resistência e desencadear medidas de proteção em face da lesão muito mais grave", explica Sarne.

Segundo os pesquisadores, a baixa dose de THC é fundamental para iniciar este processo, sem causar muito dano inicial.

A equipe agora via trabalhar para testar a capacidade de doses baixas de THC para evitar danos no coração.

Fonte: Isaude.net