Ciência e Tecnologia
31.05.2013

Técnica cria número ilimitado de glóbulos vermelhos e plaquetas em laboratório

Descoberta pode reduzir a necessidade de doações de sangue e acelerar pesquisa sobre novas terapias para tratar doenças

Estudo conduzido por pesquisadores da Boston University School of Medicine, nos EUA, identificou uma nova abordagem capaz de criar um número ilimitado de células vermelhas do sangue e plaquetas in vitro.

A equipe diferenciou células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) nesses tipos de células sanguíneas, que são normalmente obtidas através de doações de sangue.

A descoberta pode reduzir a necessidade de doações de sangue para o tratamento de pacientes que necessitam de transfusões de sangue e pode ajudar os investigadores a examinar novos alvos terapêuticos para tratar uma variedade de doenças, incluindo a doença das células falciformes.

O trabalho foi publicado na revista Blood.

Os pesquisadores, liderados por George J. Murphy, expuseram as células iPS a fatores de crescimento a fim de fazer com que elas se diferenciarem em células vermelhas do sangue e plaquetas utilizando uma tecnologia patenteada.

Essas células-tronco foram examinadas em profundidade para estudar como as células do sangue se formam a fim de promover a compreensão de como este processo é regulado no corpo.

Em sua nova abordagem, a equipe adicionou compostos que modulam a via do receptor de hidrocarboneto aromático (AhR). Pesquisas anteriores já haviam mostrado que este caminho está envolvido na promoção do desenvolvimento de células cancerígenas por meio de suas interações com as toxinas ambientais.

No presente estudo, no entanto, a equipe observou um aumento exponencial na produção de glóbulos vermelhos e plaquetas funcionais em um curto período de tempo, sugerindo que AhR desempenha um papel importante no desenvolvimento normal das células sanguíneas.

"Essa descoberta nos permitiu superar um grande obstáculo em termos de sermos capazes de produzir o suficiente destas células para ter um impacto potencial terapêutico tanto no laboratório quanto em pacientes. Além disso, nosso trabalho sugere que Ahr tem uma função biológica muito importante na formação de células normais do sangue", afirma Murphy.

A transfusão de sangue é uma terapia celular indispensável e a segurança e adequação do suprimento de sangue é uma preocupação internacional.

Dada a variedade de tipos de sangue, existem, mesmo em países desenvolvidos, escassez crônica de sangue para alguns grupos de pacientes. Escassez esporádica de sangue também pode ocorrer em associação com as catástrofes naturais ou provocadas pelo homem. O número de transfusões de sangue deve aumentar em pessoas com mais de 60 anos e pode levar a um fornecimento insuficiente de sangue em 2050.

"Células vermelhas do sangue e plaquetas específicas do paciente derivadas de células iPS, que resolveriam problemas relacionados com a imunogenicidade e a contaminação, podem ser potencialmente utilizadas para diminuir a escassez e a necessidade de doações de sangue", conclui Murphy.

Fonte: Isaude.net