Ciência e Tecnologia
27.05.2013

Tratamento com antibióticos retarda processo de envelhecimento

Uso do medicamento em certas fases do desenvolvimento aumentou expectativa de vida de nematoides em 60%

Reprodução: EPFL
Processo identificado pelos pesquisadores ocorre dentro de organelas chamadas mitocôndrias
Processo identificado pelos pesquisadores ocorre dentro de organelas chamadas mitocôndrias

Cientistas da Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suécia, demonstraram que o tratamento com antibióticos é capaz de retardar o processo de envelhecimento.

Os testes, realizados com vermes, aumentaram a expectativa de vida dos nematoides em 60%.

Os resultados do trabalho foram publicados na revista Nature.

A equipe, liderada por Johan Auwerx descobriu como um mecanismo em camundongos desempenha um papel determinante na longevidade. Eles foram além e conseguiram interromper este mecanismo por meio do uso de antibióticos em uma população de nematoides, ou vermes.

O processo identificado pelos pesquisadores ocorre dentro de organelas chamadas mitocôndrias, conhecidas como potências celulares porque transformam nutrientes em proteínas, incluindo o trifosfato de adenosina (ATP), usada pelos músculos como energia.

Vários estudos têm demonstrado que as mitocôndrias estão também envolvidas no envelhecimento. A nova pesquisa identificou os genes exatos envolvidos e mediu as consequências para a longevidade quando a quantidade de proteína que codifica esse gene é variada. Quanto menos proteína, mais longa a vida.

A equipe utilizou ratos que vivem normalmente de 365 a 900 dias. Eles analisaram os genomas dos ratos em função da longevidade e descobriram três genes com papel inédito no envelhecimento.

Os pesquisadores descobriram que uma redução de 50% na expressão destes genes e, portanto, uma redução das proteínas que eles codificam, aumentou a vida útil dos animais em cerca de 250 dias.

Nematoides

Em seguida, a equipe reproduziu as variações de proteínas em uma espécie de nematoide, Caenorhabidtis elegans. "Ao reduzir a produção dessas proteínas durante a fase de crescimento dos vermes, isso aumentou significativamente a sua longevidade", afirma Auwerx.

A média de vida de um verme manipulado desta forma passou de 19 para mais de 30 dias, um aumento de 60%. Os cientistas então realizaram testes para isolar a propriedade comum e determinaram que a presença de proteínas ribossomais mitocondriais (PRM) é inversamente proporcional à longevidade.

Os pesquisadores concluíram que a falta de PRM em certos momentos-chave no desenvolvimento criou uma reação de estresse específico. A força dessa resposta foi diretamente proporcional ao tempo de vida. No entanto, essa reação foi mais visível quando o desequilíbrio ocorreu em uma idade mais jovem.

A equipe descobriu ainda que esse efeito pode ser induzido sem manipular geneticamente os vermes. A exposição a certos fármacos facilmente disponíveis inibe a função dos ribossomos e, portanto, induz a reação desejada.

Em outras palavras, as mitocôndrias são sensíveis a certos antibióticos, e os medicamentos podem ser utilizados para prolongar a vida.

Segundo os pesquisadores, vermes jovens que receberam antibióticos não apenas viveram apenas até a idade adulta. Na maturidade, que é de 13 dias, eles também se modificaram duas vezes mais que os outros.

Os resultados indicam que os mecanismos observados e comprovados em vermes devem ser semelhantes aos de ratos, e, portanto, eventualmente, em outros mamíferos. "São necessários mais estudos, é claro, para confirmar que o envelhecimento e os seus efeitos deletérios pode ser desacelerado em mamíferos usando antibióticos em momentos precisos no desenvolvimento. Esta pesquisa nos dá esperança, não só para o aumento da longevidade, mas também para prolongar o período de vida adulta, e fazendo isso com medicamentos simples, como antibióticos", conclui Auwerx.

Fonte: Isaude.net