Ciência e Tecnologia
22.05.2013

Molécula à base de proteína do leite materno mata células cancerosas

HAMLET tem se mostrado seguro e eficaz, uma vez que só ataca as células tumorais, deixando as células humanas saudáveis intactas

Foto: Nanyang Technological University
Prof. Gerhard Gruber (a esq.) e Prof. Catharina Svanborg, discutem sobre os efeitos de HAMLET em uma célula tumoral
Prof. Gerhard Gruber (a esq.) e Prof. Catharina Svanborg, discutem sobre os efeitos de HAMLET em uma célula tumoral

Cientistas da Nanyang Technological University, em Cingapura e da Universidade de Lund, na Suécia, desenvolveram uma nova molécula capaz de matar células cancerosas.

A molécula é baseada em uma proteína natural presente no leite materno humano, que tem sua capacidade de matar tumor ampliada quando se liga a determinados lipídeos. Lipídeos são moléculas orgânicas, como aminoácidos e carboidratos, constituídos de carbono e hidrogênio, e ajudam a armazenar energia e a formar as membranas biológicas.

O complexo molecular proteico-lipídico é conhecido como HAMLET e tem se mostrado seguro e eficaz, uma vez que só ataca as células tumorais, deixando as células humanas saudáveis intactas.

HAMLET foi recentemente eficaz em suprimir com sucesso o câncer de cólon em ratos de laboratório.

Os cientistas também identificaram e isolaram, com sucesso, componentes específicos de Hamlet que têm a capacidade de matar tumores. Os peptídeos são aminoácidos de cadeia curta vulgarmente encontrados no corpo humano.

Os resultados foram publicados na revista PLoS ONE.

A equipe, liderada por Catharina Svanborg, descobriu que ratos de laboratório geneticamente modificados para desenvolver câncer de cólon, foram protegidos em grande parte, quando alimentados com água e HAMLET.

Os dados sugerem que o composto consegue matar células tumorais emergentes de forma mais rápida do que estas células podem crescer e se proliferar.

Sobre o novo conceito de uma versão sintética da molécula, a equipe afirma que ao estudar a proteína original, vão continuar a identificar os principais componentes para fazer um peptídeo sintético, tornando as propriedades de HAMLET ainda mais resistentes do que o complexo da proteína original.

"A construção sintética dos componentes principais ajuda o peptídeo a ser muito mais resistente e a 'sobreviver' em diferentes ambientes, tais como no corpo humano ou água potável, que é um meio de entrega ideal, antes de atingir o alvo tumoral", afirmam os pesquisadores.

A capacidade de recriar HAMLET em forma sintética abre possibilidades de transformá-lo em uma droga para matar tumores.

Os próximos passos incluem testar HAMLET como um agente terapêutico e preventivo de câncer de cólon, especialmente em famílias com predisposição genética, onde as opções de prevenção são limitadas. "Depois de completar os vários ensaios clínicos, esperamos desenvolver um produto comercialmente disponível para uso dos médicos para o tratamento do câncer nos próximos cinco a dez anos", concluem os autores.

Fonte: Isaude.net