Ciência e Tecnologia
11.05.2013

Presença de farmacêutico em enfermarias evita problemas com medicamentos

Durante estudo farmacêutico busca não apenas identificar problemas com as receitas, como também intervir quando necessário

Estudo revela que a participação de farmacêuticos no processo de decisão sobre a receita médica de pacientes idosos pode trazer benefícios para as equipes médicas, contribuindo para o tratamento e para a redução da ocorrência de problemas relacionados a medicamentos (PRMs) nas enfermarias hospitalares. " Prescrições não apropriadas aos idosos têm sido observadas e se constituem em um grave problema de saúde pública" , diz o farmacêutico Mário Henrique Tomassi, farmacêutico do Serviço de Farmácia do Hospital Universitário (HU) da USP.

Em pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, Tomassi monitorou uma equipe de saúde do HU responsável por pacientes da terceira idade da clínica médica da instituição. " Eu me integrei a um dos grupos, acompanhando visitas médicas e atividades desenvolvidas para a evolução clínica dos pacientes" , conta. Durante o estudo, ele buscou não apenas identificar eventuais problemas com as receitas, como também intervir quando necessário para evitar a sua ocorrência.

Foram acompanhados 28 pacientes da enfermaria do HU, com idade média de 70 anos, hospitalizados devido a complicações relacionadas a doenças crônicas ou acometidos por alguma infecção. " Em geral, o paciente permanecia internado por volta de dez dias, fazendo uso de extensa polifarmácia (uso concomitante de mais de 5 medicamentos) e, em alguns casos, de polifarmácia extrema (10 ou mais fármacos)" , relata o pesquisador. A pesquisa abrangeu a avaliação de prontuários e 100 prescrições aleatórias.

Nas prescrições, foram encontrados, ao todo, 924 problemas, sendo 920 erros de medicação (EMs) e 4 possíveis reações adversas a medicamentos (RAMs), uma confirmada clinicamente. No entanto, ressalta o farmacêutico, é fundamental diferenciar as variadas ocorrências. " Esses problemas podem estar relacionados a RAMs, consideradas não evitáveis e que sempre produzem dano ao paciente, ou EMs, considerados evitáveis e que podem ou não causar danos" , esclarece.

Os erros mais frequentes eram terapêuticos (46,5%) e administrativos e de procedimento (42,7%). " No primeiro caso destacavam-se as interações medicamentosas potenciais (28,7% do total) e no segundo, erros de caráter geral (28,0%), como o não cumprimento das regras de prescrição segura da American Society of Health-System Pharmacists [ASHP] e da própria instituição" , especifica o pesquisador.

Entre os erros de caráter geral estavam faltas de espaço entre dose e unidade, receitas fora do sistema internacional de medidas, itens rasurados, prescrição de medicamentos pelos seus nomes comerciais e não genéricos, como determina o Sistema Único de Saúde (SUS), entre outros. Além disso, medicamentos potencialmente inapropriados para idosos foram administrados à 21,4% dos enfermos. Embora a maior parte dos erros tenha sido classificada como " sem prejuízo para o paciente" , Tomassi destaca que " a informação que não é bem encaminhada pode ser interpretada de maneira errada" e ter efeitos mais graves.

Nas atividades junto à equipe médica, Tomassi realizou 143 intervenções em 73 prescrições. A intervenção farmacêutica clínica está ligada a algo chamado de farmacovigilância ativa, que se dá pela procura, em tempo real, de problemas relacionados a medicamentos, o que pode alterar o desfecho do caso. Ele explica a atividade: " Farmacêuticos hospitalares podem ter um papel na melhora do tratamento por meio de uma revisão medicamentosa colaborativa, um processo em que o profissional avalia os medicamentos dos pacientes e sugere mudanças sujeitas à concordância do médico responsável."

Além da integração do profissional farmacêutico às equipes médicas, a pesquisa aponta outras mudanças para atenuar problemas com prescrições, como melhora da comunicação entre a equipe, melhor aproveitamento de ferramentas eletrônicas para gerenciamento e controle de receitas e dispensação e administração de medicamentos, incorporação de protocolos clínicos à rotina hospitalar e educação continuada aos profissionais da saúde.

Com informações da Agência USP

Fonte: Isaude.net