Saúde Pública
01.05.2013

Pesquisa levanta perfil de doenças cardiovasculares em adolescentes mineiros

Projeto desenvolvido em parceria com a Faculdade de Medicina da UFMG avalia também risco de diabetes e obesidade

A partir da próxima segunda-feira, 6 de maio, a equipe do Erica (Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes) inicia uma série de visitas a 56 escolas públicas e particulares, em 11 municípios mineiros. O trabalho, que vai até setembro, pretende estabelecer o perfil dos adolescentes em relação aos fatores de risco para doenças cardiovasculares.

De acordo com a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Cristiane de Freitas, coordenadora do projeto em Minas Gerais, o Erica também quer conhecer a proporção de adolescentes com diabetes mellitus e obesidade. A equipe é multidisciplinar, composta de médicos, nutricionistas, enfermeiros, educadores físicos, odontólogos e fisioterapeutas.

O estudo (Erica) é coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e financiado pelo Ministério da Saúde e vai atingir cerca de 75 mil estudantes, de 12 a 17 anos, em mais de mil escolas, distribuídas pelas 124 cidades participantes do Brasil, incluindo todas as capitais.

" As escolas foram sorteadas de forma aleatória, a partir de método desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e que será reproduzido em todo o Brasil, para garantir que seja uma amostra representativa" , explica Maria Cristina Kuschnir, uma das coordenadoras gerais do projeto.

Este ano o Erica será desenvolvido nas regiões sul, sudeste e centro-oeste, e, em 2014, nas regiões nordeste e norte receberão as equipes do Erica em 2014.

Corações adolescentes

Privação do sono, experimentação precoce de álcool e cigarro, uso de drogas, obesidade e sedentarismo são fatores considerados de alto risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares que podem ter consequências graves, como os acidentes vasculares cerebrais e infartos. A situação pode ser ainda mais grave quando esses fatores são interligados.

A pediatra especializada em saúde do adolescente Cristiane Freitas destaca que a obesidade, cada vez mais comum, é o maior vilão dos riscos cardiovasculares. " O consumo de alimentos industrializados e a redução de atividades físicas e horas de sono são os principais responsáveis" , alerta.

Ela também lembra que, além dos fatores sociais e ambientais, a genética pode ser um indicativo de risco cardiovascular. " Em uma família onde as pessoas são obesas ou apresentam hipertensão, a atenção tem que ser dobrada" , alerta. " O Erica não é apenas um estudo de prevalência. Também queremos aproximar os jovens da atenção primária à saúde e vice-versa, sem críticas" , afirma a professora.

Para ela, o projeto tem um papel importante para a promoção da saúde junto aos adolescentes. " Além dos dados coletados, a realização do Erica nas escolas também vai provocar efeitos secundários muito positivos, como ampliar o diálogo entre escolas, pais e alunos sobre saúde e chamar a atenção para a relação do adolescente com seus hábitos" , espera.

Fonte: UFMG