Geral
19.04.2013

Partículas de ouro encontradas em produtos de higiene causam danos ao organismo

Nanopartículas podem inibir retenção de gordura, acelerar envelhecimento, retardar cicatrização de feridas e desencadear diabetes

Foto: Stony Brook University
Tatsiana Mironava (de preto ao centro), líder do estudo, junto aos colaboradores da pesquisa
Tatsiana Mironava (de preto ao centro), líder do estudo, junto aos colaboradores da pesquisa

Cientistas norte-americanos descobriram que nanopartículas de ouro puro encontradas em produtos de uso diário, tais como produtos de higiene pessoal e agentes de contraste podem causar danos ao organismo.

A pesquisa sugere que as pequenas partículas podem inibir o armazenamento de tecido adiposo (gordura), acelerar o envelhecimento e o aparecimento de rugas, retardar a cicatrização de feridas e desencadear o início do diabetes.

Os resultados aparecem na revista Nanotoxicology.

A líder da pesquisa Tatsiana Mironava e seus colegas da Stony Brook University, testaram o impacto das nanopartículas em vários tipos de células in vitro, incluindo o tecido adiposo (gordura), para determinar se suas funções básicas foram interrompidas quando expostas a doses muito baixas de nanopartículas de ouro.

Tecido adiposo subcutâneo atua como isolamento do calor e do frio, funciona como uma reserva de nutrientes e é encontrado em torno dos órgãos internos para o preenchimento, na medula óssea e no tecido mamário.

Os resultados mostraram que células do estroma derivadas do tecido adiposo humano, tipo de células-tronco adultas, foram penetradas pelas nanopartículas de ouro quase que instantaneamente e que as partículas se acumularam nas células sem nenhum caminho óbvio para eliminação.

A presença das partículas interrompeu várias funções celulares, tais como o movimento, replicação (divisão celular) e contração do colágeno, processos que são essenciais para a cicatrização de feridas.

De acordo com os pesquisadores, o achado mais preocupante foi que as partículas interferiram na regulação genética, expressão do RNA e inibiram a capacidade de se diferenciar em adipócitos maduros ou células de gordura. "Reduções causadas por nanopartículas de ouro podem resultar em mudanças sistêmicas para o corpo. Uma vez que foram consideradas inertes e essencialmente inofensivas, assumiu-se que as nanopartículas de ouro puro também seriam seguras. Provas contrárias estão começando a surgir", afirma Mironava.

Este estudo também é o primeiro a demonstrar o impacto das nanopartículas em células estaminais adultas, que são as células do nosso corpo utiliza para a regeneração contínua de órgãos.

Os pesquisadores descobriram que as células estromais derivadas do tecido adiposo envolvidas na regeneração de múltiplos órgãos, incluindo pele, nervo, osso e cabelo, não se diferenciam quando expostas a nanopartículas. A presença de nanopartículas de ouro também reduziu a adiponectina, proteína envolvida na regulação dos níveis de glicose e degradação dos ácidos graxos, que ajuda a regular o metabolismo.

Segundo os pesquisadores, a boa notícia é que, quando as nanopartículas foram removidas, funções normais acabaram por ser restauradas.

Fonte: Isaude.net