Geral
13.04.2013

Inatividade durante internação afeta pacientes com doenças pulmonares

Estudo da USP procurou avaliar o nível de atividade física de pessoas com bronquite crônica e enfisema pulmonar internados

Portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) sofrem com a inatividade física durante a internação. Um grupo de 20 pacientes do Hospital Universitário (HU) da USP, participou de pesquisa do fisioterapeuta Rodrigo Cerqueira Borges e realizava diariamente apenas sete minutos de atividades por dia, como ficar em pé e caminhar. No resto do tempo, eles permaneciam deitados, agravando a fraqueza muscular decorrente da doença.

A pesquisa procurou avaliar o nível de atividade física de pessoas com bronquite crônica e enfisema pulmonar (atualmente denominadas DPOC) que passavam por períodos de internação e como era sua recuperação após receberem alta. " Verificou-se o que poderia influenciar a maior ou menor atividade física durante e um mês depois da internação" , diz o fisioterapeuta.

De acordo com ele, os pacientes foram internados devido ao agravamento dos sintomas da doença, entre os quais estão falta de ar, cansaço, aumento da quantidade de escarro e mudanças em seu aspecto. " Cada paciente recebeu um equipamento chamado acelerômetro, colocado na cintura, que media quanto tempo ele ficava deitado, sentado, em pé e andando" , conta. A medicação era feita entre às 8 e às 20 horas. " Um mês depois da alta, eles voltavam a utilizar o acelerômetro em casa durante todo o dia" .

Também foram realizadas avaliações de força muscular, testes de caminhadas de 6 minutos e se verificava se os medicamentos recebidos tinham influência na atividade física. " Durante a internação, os pacientes eram muito inativos, caminhando cerca de 7 minutos por dia e passando o resto do tempo deitados" , afirma o fisioterapeuta. " Um mês depois da alta, o grau de atividade aumentava de forma significativa, e o tempo de caminhada aumentou para 40 minutos, em média" .

A recuperação dos pacientes brasileiros mostrou ser mais rápida do que a verificada na Europa. " O nível de inatividade na internação é semelhante, porém após saírem do hospital, o tempo de caminhada entre os europeus fica em torno de 20 a 30 minutos" , ressalta Borges.

Segundo o fisioterapeuta, a fraqueza no músculo da coxa (quadríceps) é o principal fator que influencia a maior inatividade dos portadores de DPOC durante a internação.Borges verificou também uma relação entre função pulmonar, oxigenação do sangue e atividade física. " Se os resultados da prova de função pulmonar e de oxigenação eram baixos, os níveis de atividade também eram" , observa. " Além disso, a atividade inflamatória elevada estava relacionada com maior inatividade" .

O fisioterapeuta recomenda a realização de um mínimo de atividade física durante a internação. " Os pacientes podem realizar algumas atividades simples, como ficar em pé e andar" , sugere. " Deve haver um intervalo entre essas ações, para que não haja problemas de falta de ar. Com a atividade, a pessoa não sofre tanto as consequências da hospitalização" .

Os resultados da pesquisa foram descritos em artigo publicado no International Journal of COPD, publicação científica internacional especializada em DPOC.

Fonte: Isaude.net