Geral
14.04.2013

Variações genéticas preveem efeitos colaterais da quimioterapia

Descoberta pode permitir aos médicos usar a informação genômica para aumentar a segurança de tratamentos potencialmente tóxicos

Foto: Alice Day/Foto Stock
Variações genéticas preveem o aparecimento de efeitos colaterais da quimioterapia
Variações genéticas preveem o aparecimento de efeitos colaterais da quimioterapia

Pesquisadores da Mayo Clinic, nos EUA, identificaram variações genéticas que preveem o aparecimento de efeitos colaterais da quimioterapia.

O estudo revela que variações genéticas podem predispor as pessoas à neuropatia periférica induzida por quimioterapia, condição que é difícil de prever e muitas vezes debilitante o suficiente para levar os pacientes a interromper o tratamento de forma precoce.

Os resultados da pesquisa foram apresentados na American Association for Cancer Research Annual Meeting 2013.

O estudo, que implica os genes EPHA5, ARHGEF10 e PRX, é o primeiro a extrair grandes áreas do genoma humano para prever os efeitos colaterais da quimioterapia. O aprofundamento da investigação sobre estes e outros genes pode permitir aos médicos usar a informação genômica para aumentar a segurança destes tratamentos potencialmente tóxicos.

"Nosso estudo cria um caminho para abordar todo o genoma a fim de adaptar os tratamentos de câncer. Isso é importante porque não só gostaríamos de curar o câncer ou ajudá-las a viver mais tempo, mas também queremos proporcionar-lhes melhor qualidade de vida", afirma o principal autor do estudo, Andreas Beutler.

A neuropatia periférica induzida pela quimioterapia afeta cerca de 20 a 30 doentes com câncer tratados com agentes de quimioterapia. Os sintomas podem ser tão leves como um formigamento ou dormência, mas podem evoluir para uma perda de sensibilidade nas mãos e pés, ou até o ponto em que os pacientes não podem mais andar normalmente e ficam com uma sensação permanente de dormência ou dor. Atualmente, não existe nenhuma maneira de prever quais doentes submetidos a quimioterapia irão desenvolver este efeito secundário, e em que grau.

Há aproximadamente 50 genes ligados a uma forma de neuropatia periférica hereditária. No entanto, muitas das pessoas que têm uma mutação em um desses genes não têm quaisquer sintomas até serem expostas à quimioterapia.

Beutler decidiu, primeiro, considerar esses 50 genes como os suspeitos mais prováveis, e expandir sua busca para o resto do genoma humano para outros preditores da condição.

A equipe realizou o sequenciamento de 20.794 genes a partir de 119 doentes com câncer, mais de metade dos quais tinham desenvolvido neuropatia periférica durante um ensaio clínico de quimioterapia.

Primeiro, eles olharam para os 50 genes da neuropatia hereditária e encontraram um, EPHA5, que parecia predispor os pacientes à condição induzida por quimioterapia. Em seguida, os pesquisadores analisaram os restantes 20 mil genes e descobriram dois novos genes, ARHGEF10 e PRX, que também são associados à neuropatia periférica induzida por quimioterapia. Eles validaram esses resultados em outro grupo de 75 pacientes com câncer.

Os resultados sugerem que as duas condições, neuropatia hereditária e neuropatia periférica induzida por quimioterapia, podem partilhar raízes genéticas em alguns pacientes. Eles também apontam caminhos que os médicos podem usar para melhorar e personalizar o tratamento do câncer.

Fonte: Isaude.net