Geral
08.04.2013

Material usado no processo de produção adiciona metal arsênio a cervejas

Metal, quando inalado ou ingerido em níveis muito elevados, pode causar doenças a médio e longo prazo e mortes por envenenamento

Foto: Elbepictures/Stock Photo
Material utilizado para filtragem da cerveja libera metal arsênio na bebida
Material utilizado para filtragem da cerveja libera metal arsênio na bebida

Pesquisadores da Technische Universität in Munich, na Alemanha, descobriram que um material amplamente utilizado para a filtragem de cervejas libera níveis elevados do metal arsênio na bebida.

A pesquisa revela que o arsênio encontrado em 140 cervejas alemãs é proveniente de um material de filtragem chamado diatomito ou terra de diatomáceas, usado para remover levedura, lúpulo e outras partículas e dar à cerveja uma aparência cristalina.

O trabalho foi divulgado no 245th National Meeting & Exposition da American Chemical Society.

Segundo o autor do estudo, Mehmet Coelhan, a descoberta pode ser importante para cervejarias e outros processadores de alimentos que usam a mesma tecnologia de filtragem implicada nos elevados níveis de arsênio nas cervejas alemãs.

Coelhan e seus colegas testaram 140 amostras de cervejas vendidas na Alemanha como parte de um programa de monitoramento. O monitoramento verificou níveis elevados de metais pesados como arsênio e chumbo, bem como toxinas naturais que podem contaminar grãos utilizados na produção de cerveja, pesticidas e outras substâncias indesejáveis.

De acordo com Coelhan, a Organização Mundial da Saúde (OMS) utiliza 10 microgramas por litro de arsênio na água potável como limite. No entanto, algumas cervejas continham níveis mais elevados do metal. "Quando o nível de arsênio na cerveja é mais elevado do que na água utilizada durante a infusão, este excesso de metal deve ser proveniente de outras fontes. Isso foi um mistério para nós. Como consequência, foram analisados todos os materiais, incluindo o malte e o lúpulo utilizados durante cerveja para a presença de arsênio", explica o pesquisador.

Eles concluíram que o arsênio foi liberado na cerveja do material de filtragem diatomito, usado para remover levedura, lúpulo e outras partículas e dar à cerveja uma aparência cristalina. Terra de diatomáceas consiste de restos fossilizados de diatomáceas, um tipo de carapaça dura de algas que viveram há milhões de anos atrás.

O diatomito é utilizado amplamente na filtragem de vinho, cerveja e é um ingrediente de outros produtos.

"Concluímos que o diatomito pode ser uma fonte significativa de contaminação por arsênio na cerveja. Esta conclusão foi apoiada pela análise de amostras de terra de diatomáceas. Esses testes revelaram que alguns diatomitos liberaram arsênio nas amostras. Os níveis de arsênio resultantes, no entanto, foram apenas ligeiramente elevados, e não é provável que as pessoas fiquem doentes por beber cervejas feitas com este método de filtragem", afirma Coelhan.

O arsênio é um elemento do ambiente que pode ser encontrado naturalmente em rochas, no solo, na água potável, no ar e em plantas e animais. O metal também pode ser liberado para o ambiente a partir de algumas fontes agrícolas e industriais.

O arsênio não tem gosto ou cheiro. Apesar de algumas vezes encontrado em sua forma pura, ele é geralmente parte de compostos químicos.

O arsênio e seus compostos são extremamente tóxicos, especialmente o arsênio inorgânico, que, quando inalado ou ingerido em níveis muito elevados pode causar doenças a médio e longo prazo e mortes por envenenamento.
A equipe ressalta que cervejas produzidas em pelo menos outros seis países tiveram maiores quantidades de arsênio do que as cervejas alemãs, de acordo com um relatório publicado há quatro anos. Eles afirmam que as cervejarias, adegas e processadores de alimentos que utilizam o diatomito devem estar cientes de que a substância pode liberar arsênio.

Segundo eles, substitutos para o produto estão disponíveis e medidas simples, como lavar o diatomito com água pode remover o arsênio antes do uso.

Fonte: Isaude.net