Geral
05.04.2013

Identificadas células-tronco que podem 'religar' controle do apetite em adultos

Células capazes de gerar novos neurônios reguladores do apetite podem oferecer solução duradoura para distúrbios alimentares

Pesquisadores da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, identificaram uma população de células-tronco capaz de gerar novos neurônios reguladores do apetite no cérebro de roedores jovens e adultos.

Anteriormente acreditava-se que as células nervosas do cérebro associadas com a regulação do apetite eram geradas totalmente durante o desenvolvimento de um embrião no útero e, portanto, seus números eram fixos para toda a vida.

A descoberta pode oferecer uma solução duradoura para os distúrbios alimentares, como a obesidade.

Os resultados foram publicados no Journal of Neuroscience.

A obesidade atingiu proporções de epidemia global. Mais de 1,4 bilhão de adultos em todo o mundo estão acima do peso e mais de meio bilhão são obesos. Problemas de saúde associados incluem diabetes tipo 2, doenças cardíacas, artrite e câncer. Pelo menos 2,8 milhões de pessoas morrem a cada ano como resultado de excesso de peso ou obesidade.

Os cientistas investigaram a seção do hipotálamo do cérebro, que regula os ciclos de sono e vigília, as despesas de energia, apetite, sede, a liberação de hormônio e muitas outras funções biológicas críticas. O estudo analisou especificamente as células nervosas que regulam o apetite.

Eles estabeleceram que uma população de células do cérebro chamada 'tanycytes' comporta-se como células-tronco e adicionam novos neurônios para o circuito de regulação de apetite no cérebro de ratos após o nascimento e na idade adulta.

"Ao contrário de dieta, a tradução desta descoberta poderia eventualmente oferecer uma solução permanente para combater a obesidade. A perda ou avaria dos neurônios no hipotálamo é a principal causa de distúrbios alimentares, como a obesidade. Até recentemente, pensava-se que todas estas células nervosas eram geradas durante o período embrionário e que o circuito que controla o apetite era fixo. Mas este estudo mostrou que o circuito neural que controla o apetite não é fixo em número e poderia ser manipulado para resolver numericamente transtornos alimentares", afirma o pesquisador chefe Mohammad K. Hajihosseini.

O próximo passo da equipe é definir o grupo de genes e processos celulares que regulam o comportamento e atividade das ' tanycytes' . "Esta informação irá ajudar a nossa compreensão das células-tronco do cérebro e pode ser explorada para desenvolver medicamentos capazes de modular o número ou o funcionamento dos neurônios reguladores do apetite", observa Hajihosseini.

O objetivo de longo prazo é traduzir este trabalho para os seres humanos, o que poderia levar até cinco ou 10 anos. Isso poderia permitir uma intervenção permanente na infância para aqueles predispostos a obesidade, ou mais tarde na vida quando a doença torna-se aparente.

Fonte: Isaude.net