Geral
28.03.2013

Ambiente familiar tem influencia em casos de anemia em mães e filhos

A ocorrência da doença em mães e filhos é mais frequente nas regiões brasileiras menos desenvolvidas

Pesquisa da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP) constatou que a ocorrência de anemia em mães e filhos é mais frequente nas regiões brasileiras menos desenvolvidas e em famílias que apresentam algum grau de insegurança alimentar.

O projeto buscou compreender em que medida as condições sociais e de vida dentro do ambiente familiar contribuem para o desenvolvimento da doença.

A anemia consiste na redução da capacidade do sangue em transportar oxigênio para os tecidos do corpo.

O estudo, desenvolvido pela enfermeira Claudia Regina Marchiori Antunes Araújo, foi um dos primeiros a abordar o tema dentro do ambiente familiar, com destaque para as características sociais, demográficas e de segurança alimentar das famílias, além de aspectos biológicos e de consumo alimentar das crianças.

" Apesar de as medidas de intervenção para prevenir e controlar a anemia no Brasil já terem sido implantadas há algum tempo, sua prevalência continua elevada, com consequências nocivas para toda a população, em especial para os grupos biológicos mais vulneráveis a esse problema nutricional" , afirma a pesquisadora.

A pesquisa

Os resultados indicaram que, embora mães e filhos estejam expostos aos mesmos determinantes sociais e ambientais, que aumentam a suscetibilidade para anemia, esses fatores agem de diferentes formas nos dois grupos.

Nas mães, as restrições alimentares ocasionadas por condições socioeconômicas e demográficas desfavoráveis têm maior impacto, possivelmente em virtude da maior necessidade orgânica de ferro da mulher em idade fértil. Já entre as crianças, independente da condição socioeconômica, uma alimentação inadequada as tornam mais susceptíveis à anemia. Entretanto, foi considerada também a possibilidade de que o cuidado materno contribui para a menor prevalência de anemia nos filhos.

"É provável que esse resultado esteja atrelado também a um efeito positivo do Programa Nacional de Suplementação de Ferro, instituído desde 2005, embora apenas um quarto das crianças de 6 a 24 meses tivesse recebido ferro nos últimos seis meses, o que indica a necessidade de melhorias na operacionalização do programa" , conta Cláudia.

Políticas Públicas de combate

Cláudia acredita que o estudo contribuiu para alertar a comunidade sobre a necessidade de aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas para a prevenção e controle da anemia infantil e em mulheres em idade fértil.

Tais políticas, segundo a pesquisadora, devem garantir o acesso universal à alimentação saudável para toda a família. Outro fator seria aliar tais políticas às orientações nutricionais voltadas para a prevenção e tratamento da anemia, com informações sobre alimentos fonte de ferro, facilitadores e inibidores da absorção do mineral, especialmente na alimentação complementar. "É importante considerar que tais recomendações devem atender as necessidades da criança, da mãe e da família, considerando seus conhecimentos prévios, além de aspectos socioeconômicos e culturais" , afirma.

A enfermeira ainda apontou a atuação dos profissionais de saúde, em especial os da Estratégia Saúde da Família, como peças fundamentais no atual cenário da prevenção da anemia materna e infantil.

Com informações da USP

Fonte: Isaude.net