Geral
21.03.2013

Últimas refeições realizadas antes de cirurgia afetam recuperação

Estudo mostra que qualidade e quantidade de tecidos de gordura são importantes na resposta do corpo a uma operação

Foto: John Asselin
Estudo identificou que trauma cirúrgico modificou os tecidos de gordura localizados tanto perto quanto longe do local do trauma
Estudo identificou que trauma cirúrgico modificou os tecidos de gordura localizados tanto perto quanto longe do local do trauma

As últimas refeições realizadas antes de uma cirurgia podem fazer a diferença na recuperação após o procedimento, de acordo com pesquisadores do Brigham and Womens Hospital, nos EUA.

O tecido adiposo é uma das componentes mais dominantes que formam o corpo, e ele é sempre traumatizado durante uma cirurgia. A equipe descobriu que este trauma direto tem grande impacto no equilíbrio de químicos do tecido adiposo que são conhecidos por se comunicarem com órgãos próximos e distantes.

No estudo, os ratos que consumiram uma dieta típica ocidental, rica em gordura, mostraram resposta desequilibrada exagerada. Importante, a restrição da ingestão de alimentos para uma dieta baixa em gordura apenas algumas semanas antes da cirurgia reestabeleceu o desequilíbrio de volta para uma resposta normal.

O estudo foi publicado na revista Surgery.

O autor principal C. Keith Ozaki e seus colegas mediram como a gordura responde à cirurgia e se a restrição da ingestão de calorias antes da cirurgia mudou a forma como o tecido de gordura respondeu ao trauma típico que geralmente ocorre durante uma operação.

"Os cirurgiões notaram que a redução do trauma acelera a recuperação do paciente após uma cirurgia. Enquanto fazemos isso bem para órgãos específicos, como o coração, vasos sanguíneos, fígado, e assim por diante, historicamente temos prestado pouca atenção à gordura que cortamos para expor estes órgãos. Nossos resultados desafiam-nos a aprender mais sobre como a gordura responde ao trauma, que fatores impactam esta resposta, e como a resposta a gordura está ligada à evolução de pacientes individuais", observa Ozaki.

Pesquisadores alimentaram um grupo de ratos com uma dieta rica em gorduras (contendo 60% de calorias de gordura), ao passo que o grupo controle recebeu uma dieta mais normal (contendo 10% de calorias de gordura).

Três semanas antes da cirurgia, os investigadores mudaram alguns dos ratos de dieta. Durante a cirurgia, os investigadores realizaram procedimentos que poderiam ocorrer durante a operação normal, e observaram que o trauma cirúrgico rapidamente modificou os tecidos de gordura localizados tanto perto quanto longe do local do trauma.

Isto resultou em aumento da inflamação e diminuição da síntese de hormônios especializados da gordura, especialmente nos ratos adultos jovens e aqueles que tinham uma ferida infeccionada.

No entanto, a redução da ingestão de alimentos antes de uma cirurgia tende a reverter essas atividades para os ratos de todos os grupos de idade, mesmo na configuração da infecção. Os resultados sugerem que, embora a gordura seja um tecido muito dominante no corpo humano, sua capacidade de mudar rapidamente pode ser aproveitada para reduzir complicações nos seres humanos em situações de estresse, tais como a cirurgia.

"Nossos resultados destacam que a qualidade dos tecidos de gordura parece ser importante, juntamente com a quantidade total de gordura do corpo, quando se trata da resposta do corpo a uma operação", conclui Ozaki.

Fonte: Isaude.net