Geral
15.03.2013

Mensagem de texto incoerente pode ser único sintoma de derrame

Estudo sugere que incapacidade de escrever corretamente no celular pode se tornar ferramenta "vital" para a detecção de AVC

Foto: Mjog
Dificuldade de escrever mensagem de texto coerente pode se tornar uma ferramenta para diagnóstico de AVC
Dificuldade de escrever mensagem de texto coerente pode se tornar uma ferramenta para diagnóstico de AVC

Dificuldade ou incapacidade de escrever uma mensagem de texto coerente, mesmo em pacientes que não têm problema de fala, pode ser sintoma único de um tipo de acidente vascular cerebral incapacitante, de acordo com pesquisa realizada no Hospital Henry Ford, nos EUA.

O estudo mostra que a 'distextia', termo criado para sugerir a escrita de mensagens de texto incoerentes, é uma ferramenta "vital" para a detecção de acidente vascular cerebral isquêmico agudo, em que um coágulo bloqueia o fornecimento de sangue a uma parte do cérebro. Esses derrames geralmente resultam em algum tipo de deficiência física e pode ser fatal.

Segundo o autor da pesquisa Omran Kaskar, a pesquisa ilustra como a distextia pode ser o único sintoma de afasia relacionada ao AVC, ou incapacidade parcial ou total de formar e compreender a linguagem.

"As mensagens de texto são uma forma comum de comunicação com mais de 75 mil mensagens sendo enviadas a cada mês. Além dos testes tradicionais que usamos para determinar afasia no diagnóstico de derrame, verificar distextia pode muito bem tornar-se uma ferramenta vital na tomada de tal determinação", observa Kaskar.

Segundo o pesquisador, já que as mensagens de texto sempre trazem a data e a hora em que foram enviadas, elas também podem ajudar a determinar quando os sintomas do AVC estiveram presentes ou mesmo quando eles começaram, um componente-chave para determinar a inclusão de terapia trombolítica e IV ou intervenção aguda.

O estudo de caso focou em um homem de 40 anos de idade que mostrou sinais de distextia. O paciente não teve nenhum problema com um teste de rotina de suas capacidades de linguagem, incluindo fluência da fala, leitura, compreensão e outros fatores. No entanto, quando solicitado a digitar uma mensagem de texto simples, ele não só produziu deturpação, mas não foi capaz de detectar essa incoerência.

Apesar de mostrar apenas leve assimetria facial e outros sintomas, os médicos determinaram que o homem tinha sofrido um AVC.

O paciente descrito no relatório de pesquisa Henry Ford havia enviado uma mensagem para sua esposa, pouco depois da meia-noite, antes de ir para o hospital. Ela descreveu o texto como "incoerente, não fluente, e incompreensível".

No dia seguinte, depois que os médicos não encontraram problemas neurológicos visíveis, exceto uma ligeira fraqueza no lado direito de seu rosto, e o paciente não teve problemas em lidar com a avaliação de rotina tradicional de habilidades de linguagem, ele foi solicitado a digitar uma nova mensagem de texto com a frase 'The doctor need a new blackberry' (O médico precisa de um novo blackberry).

Em vez disso, ele mandou uma mensagem, 'Tjhe Doutor nddds a new bb'. Quando perguntado se o texto estava correto, ele não reconheceu qualquer erro de digitação, segundo os pesquisadores.

Uma vez que foi determinado que o homem tinha sofrido um acidente vascular cerebral isquêmico agudo, os médicos concluíram que a verificação de distextia pode tornar-se uma ferramenta extremamente importante de diagnóstico, especialmente para pacientes que não apresentam outros sintomas claros.

Fonte: Isaude.net