Artigo
10.03.2013

Demografia Médica contrapõe-se ao diagnóstico estreito

Renato Azevedo Júnior, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

Foto: Assembléia Legislativa/SP
Renato Azevedo Júnior, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).
Renato Azevedo Júnior, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

As entidades médicas acompanham com especial interesse e preocupação os rumos de políticas públicas de saúde e de educação que têm a " falta de médicos" como foco. O diagnóstico estreito da situação é acompanhado, a nosso ver, por equívocos e omissões. O governo federal anuncia a meta nacional de 2,5 médicos por 1.000 habitantes (que seria alcançada naturalmente em oito anos, sem novas intervenções, pois o país já tem 400 mil médicos e uma taxa de 2 por 1.000 habitantes), mas não diz como irá diminuir as desigualdades de concentração desses profissionais entre as regiões e entre os setores público e privado da saúde.

Ao mesmo tempo, autorizam novos cursos e mais vagas de Medicina, sem a mínima qualidade da graduação (que vai de mal a pior, conforme constatou o Exame do Cremesp). Tampouco há vagas de Residência Médica para todos os formados. Além disso, ensaiam afrouxar as regras de revalidação e registro de diplomas estrangeiros, fazendo vistas grossas aos milhares de brasileiros enganados em cursos precários de Medicina na Bolívia, Argentina e Cuba.

Em contrapartida, o Cremesp divulgou, em parceria com o CFM, novos resultados da pesquisa Demografia Médica no Brasil, que disponibiliza dados e estatísticas sobre o perfil, a presença e a concentração de médicos no país.

A nova pesquisa Cremesp-CFM traz projeções sobre o número de médicos, enfatizando um possível acirramento nas desigualdades de distribuição dos profissionais. O estudo indica também que o principal fator de fixação do médico não é o local de graduação, mas os grandes centros onde estão as oportunidades de emprego, de especialização e de qualidade de vida. Mesmo depois de formados, é expressiva a migração de médicos em direção ao Sudeste e às grandes cidades, que também concentram os demais profissionais da área, dentistas, pessoal de enfermagem, e sediam as principais estruturas e serviços de saúde.

Constatamos que o número de médicos especialistas vem aumentando, mas será preciso reduzir o fosso entre esses e os sem título de especialidade. É urgente refletir sobre a valorização e capacitação dos milhares de não titulados, sem perspectivas de cursar Residência Médica, pois não há vagas ou porque já estão há muito tempo no mercado profissional.

Ao fazer um raio X da profissão médica, e divulgar amplamente as informações coletadas e analisadas, esperamos que o projeto Demografia Médica contribua com o debate atual sobre a melhor inserção, aproveitamento e necessidade de médicos no sistema de saúde brasileiro.

Fonte: CREMESP