Geral
25.02.2013

Cientistas identificam mecanismo que acelera crescimento de tumores

Pesquisa sugere que proteína 'tira o freio' de moléculas de RNA e estimula a proliferação de células do câncer

Foto: Luca T. Barone. IRB Barcelona
Raúl Méndez (a dir.) e Alessio Bava no laboratório da IRB Barcelona
Raúl Méndez (a dir.) e Alessio Bava no laboratório da IRB Barcelona

Pesquisadores do Instituto para Pesquisa de Biomedicina de Barcelona (IRB), na Espanha, descobriram um mecanismo controlado pela proteína CPEB1 que afeta mais de 200 genes relacionados com a proliferação celular e a progressão do tumor.

O mecanismo, identificado utilizando células de linfoma de Hodgkin, tem sido proposto como um sistema geral de regulamentação que aumenta a propagação de vários tipos de câncer.

O estudo mostrou que a CPEB1 altera uma região específica de um tipo de molécula de RNA. Segundo o autor sênior da pesquisa, Raúl Méndez, a CPEB1 'tira o freio' de centenas de moléculas de RNA que estimulam a desdiferenciação celular, quando a célula adulta passa a agir como embrionária, e a sua proliferação.

"Proteínas CPEB são necessárias durante o desenvolvimento e também durante a regeneração do tecido, mas se elas ficam continuamente ligadas, as células se dividem em momentos errados e formam um tumor", explica Méndez.

A família CPEB compreende quatro proteínas. "Esta descoberta é positiva do ponto de vista terapêutico, pois significa que se removermos CPEB1 de células saudáveis, sua função pode ser assumida por qualquer outra proteína CPEB. Em contraste, em tumores, apenas CPEB1 tem a capacidade de encurtar essas regiões, afetando apenas as células tumorais", afirma o pesquisador Felice Alessio Bava.

Segundo os pesquisadores, este estudo fornece evidência adicional do potencial de proteínas CPEB como alvos terapêuticos. O laboratório desenvolveu um sistema de rastreio de moléculas terapêuticas para criar um medicamento que pode inibir a ação da CPEB em tumores, com poucos efeitos secundários nas células saudáveis. "Não há drogas atualmente disponíveis que influenciam a regulação da expressão do gene, a este nível. Nossas descobertas abrem uma janela terapêutica pioneira. Estamos otimistas com o potencial de proteínas CPEB como alvos", conclui Méndez.

O estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: Isaude.net