Foto Saúde
11.02.2013

Carnaval gera suporte para projeto de atendimento em saúde mental

Projeto ajuda inserir pacientes psiquiátricos no mercado de trabalho, através de produção em ateliê de confecção de fantasias

Reprodução: USP Online
Além da confeccionar fantasias, aderecistas também desfilam na Ala Loucos pela X-9
Além da confeccionar fantasias, aderecistas também desfilam na Ala Loucos pela X-9

A Tese da professora da Escola de Enfermagem (EE) da USP , Ana Luisa Aranha e Silva, " A construção de um projeto de extensão universitária no contexto das políticas públicas: saúde mental e economia solidária" , propõe suporte teórico alternativo ao projeto terapêutico " A Casa do Saci" . No contexto de políticas públicas voltadas para pacientes psiquiátricos, o projeto os insere no mercado de trabalho, e a proposta de Ana Luisa usa a rede produtiva de fantasias de Carnaval como mais uma opção para estas pessoas.

Uma das vertentes do projeto é o trabalho realizado em um ateliê denominado Barracão, que fica no Tremembé, em São Paulo. Ali são confeccionadas fantasias de Carnaval de oito alas da Escola de Samba X-9 Paulistana. Mesmo com todo trabalho, o ambiente é de alegria e os usuários de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e do Centros de Convivência e Cooperativa (CECCO) , empenham toda sua concentração nas tarefas.

Mesmo antes de realizar trabalhos para o carnaval, já eram feitos projetos de geração de renda com papel reciclado por pessoas que frequentavam ambulatórios em busca de tratamento mental. Desde então, os trabalhos vinculados ao Carnaval se estreitaram e o projeto de geração de renda e inclusão social dessas pessoas amadureceu, segundo os preceitos da Economia Solidária.

Ana Luisa Silva explica que o diferencial do projeto envolve autogestão e propriedade coletiva dos bens envolvidos nos trabalhos realizados. " A propriedade coletiva dos meios de produção, por aqueles que executam os trabalhos, faz parte do que chamamos de Economia Solidária" , ou seja, somente nesta aplicação essas pessoas passariam do estado de seres tutelados pelo Estado ou por seus familiares para pessoas emancipadas social e economicamente.

Além disso, a " concepção de trabalho ultrapassa a dimensão terapêutica e atinge a emancipação econômica e subjetiva" diz , destacando que o fato de integrar à rede produtiva do Carnaval fantasias fabricadas por esses usuários, caracteriza uma luta antimanicomial diária. "A iniciativa é um fator de integração de dois cenários que a sociedade, com seus preconceitos e desigualdades, normalmente separa".

Com informações da USP

usponline
USP -Carnaval é cenário para emancipação socioeconômica

Fonte: Isaude.net