Saúde Pública
26.01.2013

Formiga é vetora de micobactéria patogênica em hospitais, afirma pesquisa

As bactérias transportadas por formigas podem causar infecções oportunistas, agravando casos de pacientes fragilizados

Foto: Muhammad Mahdi Karim
Formiga da espécie Tapinoma melanocephalum, do gênero Dorymyrmex sp. Estudo comprovou que formigas podem transportar agentes patogênicos a pessoas debilitadas
Formiga da espécie Tapinoma melanocephalum, do gênero Dorymyrmex sp. Estudo comprovou que formigas podem transportar agentes patogênicos a pessoas debilitadas

Uma pesquisa realizada na Faculdade de Saúde Pública da USP revelou que formigas podem transportar micobactérias causadoras de várias doenças agravando inclusive o quadro de pacientes internos imunologicamente fragilizados. Segundo pesquisa da veterinária Ana Paula a Macedo Ruggiero Couceiro, as formigas podem ser vetoras mecânicas de microbactérias patogênicas, conforme análises microbiológicas realizadas por amostragem em um hospital no interior de São Paulo.

As análises apontaram ocorrência de micobactérias ambientais, relacionadas às infecções oportunistas. Essas infecções podem ocorrer na pele, por exemplo, com a formação de abscessos, além de não responderem à terapia convencional com antibióticos. A amostra foi colhida em tubo estéril, em hospital da rede pública, em diversos pontos da instalação. Especializado na assistência a pacientes com tuberculose, a infestação desses patógenos no hospital implica em mais riscos à saúde do paciente fragilizado imunlogiamente, alerta a pesquisadora.

Segundo a pesquisadora, as micobactérias ambientais estão amplamente distribuídas, inclusive em hospitais. O monitoramento destas micobactérias não é habitual. No entanto, com o aumento de surtos relacionados às mesmas em estabelecimentos de saúde, a preocupação com estes agentes aumentou.

As formigas coletadas para o estudo eram da espécie Tapinoma melanocephalum e dos gêneros Dorymyrmex sp, Camponotus sp, todas encontráveis em domicílios brasileiros. Os pontos preferenciais para as amostragens foram os próximos aos pacientes, inclusive o solário, espécie de terraço no qual as pessoas em tratamento tomam sol.

Após a coleta foi feito o processo de isolamento e identificação das bactérias, detectando as espécies M. chelonae, M. parafortuitum e M. murale, além de micobactérias que não puderam ser identificadas talvez porque ainda não tenham sido descritas. A M. chelonae, encontrada nos vasos sanitários dos quartos dos pacientes, é considerada uma micobactéria ambiental patogênica e já descrita em surtos hospitalares no Brasil.

Para Ana Paula, é importante alertar-se quanto aos riscos que estes artrópodes representam na disseminação de infecções hospitalares, e revisar a frequência e efetividade das desinsetizações.

Com informações da USP

Fonte: Isaude.net