Geral
23.01.2013

Defeitos em via neurológica no início do desenvolvimento causam esquizofrenia

Descoberta pode permitir deter o desenvolvimento da doença antes do surgimento dos sintomas na adolescência ou na idade adulta

Foto: University at Buffalo
Michal Stachowiak, líder da pesquisa
Michal Stachowiak, líder da pesquisa

Cientistas da Universidade de Buffalo, nos EUA, identificaram defeitos em uma via neurológica no desenvolvimento precoce que podem ser responsáveis pelo aparecimento da esquizofrenia mais tarde na vida.

A pesquisa pode permitir encontrar formas de deter o desenvolvimento da doença antes do aparecimento dos sintomas na adolescência ou na idade adulta.

A via genômica, chamada Integrative Nuclear FGFR 1 Signaling (INFS), é um ponto de interseção central de vias múltiplas de 160 genes diferentes que podem estar envolvidos na desordem.

"Acreditamos que este é o primeiro modelo que explica a esquizofrenia por meio de genes para o desenvolvimento de estrutura cerebral e, finalmente, para o comportamento", afirma o autor Michal Stachowiak.

Um dos principais desafios com a doença é que os pacientes com esquizofrenia exibem mutações em genes diferentes. "Como é possível ter 100 pacientes com esquizofrenia e cada um com uma mutação genética diferente que provoca a desordem? Isso é possível porque INFS integra diversos sinais neurológicos que controlam o desenvolvimento das células-tronco embrionárias e as células progenitoras neurais, e ela liga rotas envolvendo genes ligados à esquizofrenia", explica Stachowiak.

Segundo Stachowiak, INSF funciona como o maestro de uma orquestra. "Não importa qual músico está tocando a nota errada, ele derruba o maestro e a orquestra inteira. Com INFS, propomos que quando há uma alteração ou uma mutação em um gene ligado a esquizofrenia, o sistema do INFS que controla o desenvolvimento do cérebro inteiro fica desafinado. Assim a esquizofrenia se desenvolve."

Utilizando células estaminais embrionárias, Stachowiak e seus colegas descobriram que alguns genes implicados na esquizofrenia ligam a proteína FGFR1 (receptor do fator de crescimento de fibroblastos), o qual, por sua vez, tem um efeito cascata no INFS inteiro.

"Nós acreditamos que FGFR1 é o maestro que interage fisicamente com todos os genes que afetam a esquizofrenia. Acreditamos que a esquizofrenia ocorre quando há um mau funcionamento na transição de células-tronco para neurônio, particularmente com os neurônios de dopamina", afirma o pesquisador.

Os pesquisadores testaram sua hipótese através da criação de uma mutação de FGFR1 em camundongos, que produziram as marcas da doença humana: anatomia cerebral alterada, impactos comportamentais e processos sensoriais sobrecarregados.

"Ao atacar o caminho INFS, fomos capazes de reproduzir a esquizofrenia em camundongos", observa Stachowiak.

A equipe acredita que, se tal caminho genômico é causador da doença, então ele deve ser possível de ser alvo de novos tratamentos.

O trabalho aumenta as evidências existentes de que agonistas nicotínicos, muitas vezes prescritos como medicamentos para deixar de fumar, podem ajudar a melhorar a função cognitiva em pacientes esquizofrênicos, agindo sobre o INFS.

Veja mais detalhes sobre esta pesquisa (em inglês).

Fonte: Isaude.net