Saúde Pública
21.01.2013

Estudo relaciona efeitos da variação de temperatura com registros de dengue

Pesquisa sobre impacto do clima na dengue analisa aparecimento de casos de acordo com variáveis meteorológicas

Foto: Rogério Santana/SECOM/RJ
Aumento de um grau na temperatura mínima em apenas um mês ocasiona elevação de 45% nos casos de dengue no mês seguinte
Aumento de um grau na temperatura mínima em apenas um mês ocasiona elevação de 45% nos casos de dengue no mês seguinte

Desenvolvido pela pesquisadora do setor de Epidemiologia da UFRJ Adriana Fagundes Gomes , o estudo Análise Espacial e Temporal da Relação Entre Dengue e Variáveis Meteorológicas na cidade do Rio de Janeiro, entre 2001 a 2009, aponta que nem sempre temperaturas muito elevadas junto com aumento das chuvas são fatores determinantes para o aumento de casos de dengue.

Na pesquisa, Adriana mostra que o aumento de um grau na temperatura mínima em apenas um mês ocasiona elevação de 45% no número de casos de dengue no mês seguinte, enquanto o aumento da precipitação em 10 milímetros resulta na elevação de 6% no número de casos da doença no mesmo período. Além disso, revela que o clima é um importante fator na distribuição temporal e espacial das doenças transmitidas por vetores.

Ela explica que as condições climáticas estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento do mosquito vetor ao proporcionar maturação mais rápida (no caso da temperatura) e elevação no número de criadouros (no caso da chuva), aumentando a probabilidade de interação vetor-homem e, em consequência, homem-vírus.

" Estudos mostram que a temperatura ambiente é inversamente proporcional ao tempo de desenvolvimento do Aedes aegypti para a fase adulta. Porém, acima de 40°C, a expectativa de vida do mosquito diminui, ao mesmo tempo que sua capacidade de transmitir o vírus. As taxas máximas de sobrevivência estão na faixa de 20 a 30°C. Contudo, o Aedes aegypti sobrevive acima dos 30°C com o mínimo de impacto, desde que esteja abrigado. Assim, na cidade do Rio de Janeiro, o mosquito encontra, na maior parte do ano, a temperatura ideal. Mas, sendo uma doença sazonal, o número de casos se concentra no verão" , afirma a pesquisadora.

Segundo Adriana, sua pesquisa contribui para ações preventivas, uma vez que envolve análise de parâmetros climáticos, o que pode ser realizado com baixo custo e ao tentar entender o impacto do clima, fornecendo informações para que o desenvolvimento de ferramentas estatísticas para a análise de risco seja efetuado.

Com informações da ENSP/RJ

Fonte: Isaude.net