Geral
17.01.2013

Médicos de quatro países criticam medidas econômicas adotadas pela troika

Documento avalia que adoção de contenção de despesas não tem "avaliações objetivas do impacto na saúde"

Pesquisadores renomados da área de saúde e as associações médicas de Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha estão divulgando nos quatro países carta aberta aos chefes de governo e de Estado e às autoridades sanitárias da Europa criticando as medidas econômicas prescritas nos programas de ajustamento econômico da Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI) a chamada troika.

O documento avalia que o receituário da troika, de contenção de despesa e diminuição de investimento público, " têm importância crítica no campo da economia e dos sistemas de proteção social" mas não há " avaliações objetivas do impacto na saúde" ; conforme prescrevem acordos e declarações seguidas pelos países membros da União Europeia.

Segundo os médicos dos quatro países, a crise econômica e as medidas recessivas " têm implicações bem conhecidas na saúde" , como diminuição de acessos a serviços de saúde apropriados, aumento de casos de depressão, maior suscetibilidade a doenças transmissíveis e agravamento de comportamentos de risco (tanto em termos de dependências químicas como em relação a atitudes de risco, em caso de doenças crônicas).

Dos quatro países, a Espanha é o único que não assinou acordo com a troika, mas segue o diagnóstico de cortar despesas públicas, inclusive na área de saúde. Em Portugal, relatório do FMI circula dentro do governo sugerindo o aumento do pagamento por serviços públicos de saúde e a extensão da cobrança a grupos da população até agora isentos, como as mulheres grávidas em cuidados do pré-natal e as crianças.

Fonte: AGÊNCIA BRASIL