Geral
10.01.2013

Proteínas auxiliam na avaliação do prognóstico de pacientes com câncer bucal

A cofilina-1 pode servir como marcador do grau de agressividade dos tumores do tipo carcinoma epidermoide

Pesquisadores brasileiros identificaram uma proteína - a cofilina-1 - que pode servir como marcador do grau de agressividade dos tumores do tipo carcinoma epidermoide - o mesmo diagnosticado na laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2011. Pesquisa foi destaque na revista PLoS One em dezembro.A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de medicamentos destinados à redução da capacidade do tumor de migrar para outras regiões do organismo.

" Seria esperado que pacientes com tumores extensos fossem os de pior prognóstico, mas muitas vezes sua evolução é melhor que a de pacientes com tumores iniciais" , disse Eloiza Tajara, professora da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e coordenadora do Projeto Temático FAPESP que deu origem ao trabalho.

O melhor indicador de agressividade disponível hoje para esses tumores, de acordo com Tajara, é a presença de células tumorais nos linfonodos do pescoço. " Acredita-se que um tumor inicial capaz de enviar células para outra região do corpo seja mais agressivo que um tumor extenso que ainda não causou metástase. Mas a presença de linfonodos negativos para células neoplásicas também não é garantia de bom prognóstico" , disse.

Com ferramentas mais precisas, afirmou a pesquisadora, o médico poderia identificar quais pacientes necessitam de cirurgias invasivas, além de quimioterapia e radioterapia, e quais poderiam ser submetidos a tratamentos mais conservadores e menos dolorosos.

" As cirurgias nessa região podem ser mutilantes e deixar sequelas que afetam a qualidade de vida, como dificuldades de fala, deglutição e mastigação" , contou Tajara.

Em busca de marcadores de agressividade, o grupo coordenado pela pesquisadora analisou as proteínas expressas em amostras de carcinoma epidermoide da região bucal, principalmente língua e soalho da boca (embaixo da língua), retiradas de 144 pacientes.

" Separamos as amostras em dois grupos. Aquele considerado mais agressivo compreendia tumores iniciais com linfonodos positivos para a presença do câncer. O grupo considerado menos agressivo era composto por tumores extensos sem linfonodos positivos. Os resultados mostraram que esses dois tipos são mesmo diferentes do ponto de vista molecular" , disse Tajara.

Os pesquisadores descobriram mais de 100 proteínas expressas de forma diferente ao comparar os dois grupos. " A ideia é investigar a fundo cada uma dessas proteínas. Mas como os ensaios são demorados decidimos começar pela cofilina-1, que está mais expressa nos tumores agressivos e, segundo a literatura científica, tem participação nos processos de migração celular" , disse.

Com informações da Fapesp

Fonte: Isaude.net