Geral
06.01.2013

Novo dispositivo permite diagnóstico de periodontite em 30 minutos

Sistema determina gravidade da inflamação e o número total de bactérias e torna possível adaptar o tratamento aos pacientes

Foto: Fraunhofer IZI
Dentistas usam ponta de papel para remover bactérias do dente
Dentistas usam ponta de papel para remover bactérias do dente

Cientistas do Fraunhofer Institute, na Alemanha, desenvolveram uma nova plataforma de diagnóstico que permite detectar os patógenos que causam inflamação na gengiva rapidamente.

A abordagem permite que os dentistas iniciem o tratamento correto para periodontite de forma mais rápida.

Sangramento nas gengivas durante a escovação ou ao morder uma maçã poderia ser uma indicação de periodontite, doença inflamatória dos tecidos que circundam e sustentam os dentes.

A placa bacteriana ataca o osso, ou seja, os dentes podem ficar bambos com o tempo e, no pior caso até mesmo cair. Além disso, a periodontite também atua como um ponto focal a partir do qual a doença pode se espalhar por todo o corpo: se as bactérias entram na corrente sanguínea, elas podem causar mais danos em outros locais.

Os médicos suspeitam que haja uma conexão entre os patógenos de periodontite e doenças cardiovasculares que podem levar a ataques cardíacos ou derrames.

A fim de cessar a inflamação, os dentistas removem os depósitos de tártaro dentário e da superfície dos dentes, mas isto muitas vezes não é suficiente, bactérias particularmente agressivas só podem ser eliminadas com antibióticos.

Das cerca de 700 espécies de bactérias encontradas na cavidade da boca, há apenas 11 que são conhecidas por causar a doença periodontal.

Segundo os pesquisadores, a única maneira de detectar a periodontite é através da realização de um teste de bactérias. O problema, no entanto, é que os métodos atuais para a identificação de agentes patogênicos são demorados e são realizados em um laboratório externo.

Análise bacteriana em menos de 30 minutos

Agora, a equipe de pesquisa criou uma nova plataforma móvel projetado para acelerar a identificação dos 11 patógenos periodontais mais relevantes.

O módulo chamado ParoChip, vai permitir, no futuro, que os dentistas e laboratórios médicos preparem as amostras rapidamente e, então, analisem as bactérias. Todas as etapas do processo efetuam-se diretamente sobre a plataforma, que consiste de um cartão em forma de disco de microfluidos que tem cerca de seis centímetros de diâmetro. "Até os dias de hoje, a análise tem levado em torno de quatro a seis horas. Com ParoChip, ela leva menos de 30 minutos. Isto significa que é possível analisar um grande número de amostras em um curto espaço de tempo", afirma o pesquisador Dirk Kuhlmeier.

A análise é realizada de uma maneira sem contato e totalmente automatizada. As amostras são colhidas usando palitos estéreis. Após o recolhimento, as bactérias são removidas e seu DNA isolado injetado nas câmaras de reação contendo reagentes secos. Existem onze tais câmaras em cada placa, cada uma com o reagente de uma dos onze patógenos. O número total de bactérias é determinado em uma câmara adicional, através da reação em cadeia da polimerase (PCR).

De acordo com os pesquisadores, a principal vantagem é que o sistema torna possível não só a quantificação de cada tipo de bactéria e, assim, a determinação da gravidade da inflamação, mas também permite determinar o número total de todas as bactérias combinadas. Isso permite que os médicos adaptem melhor o tratamento antibiótico.

"À medida que o sistema nos permite quantificar as bactérias, ParoChip é adequado também para a identificação de outras causas de infecções bacterianas, tais como agentes patogênicos de origem alimentar ou aqueles que levam à sepse", observa Kuhlmeier.

Fonte: Isaude.net