Geral
17.12.2012

Técnica reprograma células cardíacas comuns em marca-passos naturais

Pesquisa pode funcionar como uma alternativa futura aos atuais dispositivos eletrônicos implantados para regular as pulsações

Cientistas do Cedars-Sinai Medical Center, nos EUA, reprogramaram células musculares comuns do coração de ratos para se tornarem células especializadas que controlam os batimentos cardíacos e funcionam como um marca-passo natural.

O trabalho, publicado na revista Nature Biotechnology, pode funcionar como uma alternativa futura aos atuais marca-passos eletrônicos.

O líder da pesquisa Eduardo Marbán e seus colegas testaram quatro genes que, durante o desenvolvimento embrionário, são extremamente importantes para a formação natural das células que controlam o batimento cardíaco.

Um deles, chamado Tbx18, foi transferido para as células do coração dos ratos por meio de um vírus inativado e conseguiu converter as células da fibra muscular cardíaca, os cardiomiócitos, em marca-passos funcionais.

"Embora existam marca-passos biológicos primitivos, este estudo é o primeiro a mostrar que um único gene pode direcionar a conversão de células do músculo cardíaco em células que controlam a pulsação. As novas células geraram impulsos elétricos de forma espontânea e foram indistinguíveis das células naturais do batimento cardíaco", afirma o pesquisador Hee Cheol Cho.

As células que naturalmente coordenam os batimentos do coração estão localizadas no nó sinusal ou sinoatrial, uma estrutura que fica na união do átrio direito com a veia cava superior, onde os batimentos cardíacos se originam.

Nesse local, há cerca de 10 mil células naturais que funcionam como marca-passo. Se a função dessas células diminui, em função de fatores como envelhecimento ou doenças genéticas, a pulsação começa a se tornar mais lenta ou fora de sincronia, levando-as ao colapso e à incapacidade de manter a pessoa viva. Atualmente, o único tratamento disponível é a implantação cirúrgica de um marca-passo artificial.

Uma vez reprogramadas pelo gene Tbx18, as células de marca-passo recém-criadas tinham todas as características essenciais das células nativas e mantiveram suas características mesmo depois de os efeitos do gene Tbx18 tinham desaparecido.

Se a descoberta for confirmada por estudos posteriores, os pesquisadores acreditam que a terapia poderá ser administrada por injeção Tbx18 no coração de um paciente ou pela criação de células marca-passo no laboratório que serão transplantadas para o coração. No entanto, estudos adicionais de segurança e eficácia devem ser realizados antes do início de ensaios clínicos em humanos.

Fonte: Isaude.net