Profissão Saúde
13.12.2012

Avanços em genômica mudam estratégias terapêuticas dos oncologistas

Pesquisadores espanhóis apontam mudanças em técnicas que permitem planejamento de terapias personalizadas contra o câncer

Foto: Usal
Rogelio González-Sarmiento, do Centro de Pesquisa em Câncer da Universidade de Salamanca (Usal)
Rogelio González-Sarmiento, do Centro de Pesquisa em Câncer da Universidade de Salamanca (Usal)

Pesquisadores espanhóis apontam que o avanço em técnicas genômicas está permitindo o planejamento de estratégias terapêuticas personalizadas contra o câncer. " As técnicas de sequenciamento de nova geração têm permitido aos pesquisadores, em laboratórios, redefinir as classificações dos tumores com base em critérios moleculares. Essa mudança de paradigma está modificando a estratégia terapêutica dos oncologistas" , disse Rogelio González-Sarmiento, do Centro de Pesquisa em Câncer da Universidade de Salamanca (Usal), durante o evento " Fronteras de la Ciencia Brasil y España en los 50 años de la FAPESP.

Além das alterações genéticas propriamente ditas que são aquelas em que ocorre modificação na sequência do DNA, como as mutações pontuais, deleções, inserções e os rearranjos cromossômicos , as alterações epigenéticas também podem ser causa de câncer, de acordo com Manel Esteller, diretor do Programa de Epigenética do Instituto de Investigação Biomédica de Bellvitge, em Barcelona.

" Podemos imaginar que o genoma é o hardware de nosso computador e a epigenética é o software que faz esse hardware funcionar" , disse Esteller à Agência FAPESP.

Por essa razão, acrescentou o pesquisador, gêmeos idênticos podem desenvolver doenças diferentes, apesar de compartilharem o mesmo DNA. " Eles têm o mesmo hardware, mas diferentes softwares. São alterações químicas que regulam a expressão dos genes" , disse.

Entre as alterações químicas conhecidas, a mais importante é a metilação do DNA, reação que envolve a adição de um grupo metil (CH3) a determinadas partes do DNA e muda o padrão de expressão dos genes.

"É um processo fisiológico de regulação dos genes. Por exemplo, as células do nosso cérebro têm o mesmo DNA que as células do nosso coração, mas têm diferentes funções. Em boa medida, isso ocorre graças à metilação do DNA. O que acontece no câncer é que existe uma mudança global na metilação do DNA e isso cria um software corrompido" , explicou Esteller.

As causas das alterações epigenéticas são, segundo o pesquisador, muito parecidas com aquelas responsáveis pelas modificações na sequência do DNA. Entre elas uma das mais importantes é o envelhecimento.

"É possível medir a idade biológica de uma pessoa ao analisar o perfil de metilação de DNA. Ao longo da vida passamos por experiências que mudam nossas células. O processo de metilação do DNA diminui e isso deixa os cromossomos mais frágeis e mais fáceis de serem corrompidos" , disse Esteller.

Apenas alguns poucos genes e justamente aqueles responsáveis por nos proteger contra o câncer passam a sofrer mais metilação devido ao envelhecimento e têm sua expressão bloqueada. " Nos países desenvolvidos, a idade é hoje o maior fator de risco para o câncer" , disse.

O simpósio integra as comemorações dos 50 anos da FAPESP e reúne, nas cidades de Salamanca (10 a 12/12) e Madri (13 e 14/12), pesquisadores do Estado de São Paulo e de diferentes instituições de ensino e pesquisa do país ibérico.

Com informações da Fapesp

Fonte: Isaude.net