Geral
26.11.2012

Dispositivo a vácuo pode substituir cirurgia para corrigir deformidade do tórax

Aparelho consiste em copo de sucção colocado fora do tórax que é acionado por uma bomba manual e levanta a cavidade do peito

Cirurgiões do Children's Hospital of The King's Daughters, nos EUA, demonstraram que um dispositivo a vácuo pode eliminar a necessidade de cirurgia em alguns pacientes com uma das deformidades torácicas mais comuns, pectus excavatum, muitas vezes chamada de síndrome de peito escavado.

Pectus excavatum é a deformidade congênita causada por um crescimento excessivo da cartilagem entre as costelas e o osso esterno. Sua característica principal é uma depressão, ou recuo, no meio do peito.

O novo aparelho consiste em um cálice de sucção que é colocada do lado de fora da parede da caixa torácica. O paciente usa uma bomba manual entre 30 minutos a duas horas duas vezes por dia para criar pressão no interior do dispositivo que lentamente levanta a parede do peito durante um período de cerca de um ano.

O dispositivo ainda está em fase experimental, mas os cirurgiões receberam permissão para usá-lo depois que cientistas alemães submeteram uma papelada à Food and Drug Administration (FDA), classificando o aparelho como dispositivo médico Classe 1.

Esses dispositivos são não invasivos e apresentam um nível tão baixo de risco que não requerem os mesmos testes rigorosos que aqueles de classes mais altas, como marca-passos.

Não cirúrgico

Até os anos 1980, a correção de pectus excavatum era feita por meio de uma cirurgia radical que envolvia a remoção de cartilagem e costelas.

No final de 1980, o cirurgião pediátrico Donald Nuss, desenvolveu uma técnica minimamente invasiva, que envolve a colocação de uma barra côncava no peito e depois a inverte para que ela empurre a depressão do peito para cima. O procedimento de Nuss desde então se tornou o padrão cirúrgico.

Agora, os especialistas têm explorado técnicas menos invasivas, como uma investigação que está sendo realizada em São Francisco com ímãs implantados na parede torácica que são atraídos para uma cinta torácica e restaura a deformidade.

O novo processo a vácuo marca a primeira utilização de um dispositivo não cirúrgico e não invasivo por cirurgiões. "Sempre fizemos esforços para minimizar a intervenção cirúrgica e acreditamos que esse método pode eliminar a necessidade de cirurgia em alguns pacientes com pectus excavatum", afirma o médico Robert J. Obermeyer, que tem sido fundamental na inserção da tecnologia nos EUA.

Na Europa, o conceito de um dispositivo a vácuo para corrigir síndrome peito escavado tem sido discutido por décadas, mas a tecnologia estava defasada. O engenheiro alemão Eckart Klobe, que sofreu pectus excavatum, desenvolveu centenas de protótipos antes de desenvolver um dispositivo que trabalha de forma confiável.

O aparelho tem sido usado na Europa há vários anos, e as pesquisas sugerem que a correção pode ser permanente.

Enquanto o dispositivo é não cirúrgico, ele deve ser usado sob a supervisão de um especialista em pectus porque condições cardíacas subjacentes podem tornar o dispositivo perigoso.

O Children's Hospital of The King's Daughters realizou esta semana os dois primeiros procedimentos nos Estados Unidos e irá monitorar seu progresso, bem como a eficácia a longo prazo do procedimento não cirúrgico.

Fonte: Isaude.net