Geral
23.11.2012

Inibição de proteína reverte sintomas do autismo em camundongos

Pesquisa mostra que "hiperconexões" neurais causadas pela produção da proteína neuroligina no organismo podem ser desfeitas

Pesquisadores da McGill University e da Universidade de Montreal, no Canadá, descobriram que a inibição da síntese de proteínas é capaz de reverter os sintomas do autismo em camundongos adultos.

O estudo mostra que "hiperconexões" neurais causadas pela produção da proteína neuroligina no organismo de pessoas com a condição podem ser desfeitas.

A equipe, liderada por Christos Gkogkas, identificou um elo crucial entre a síntese de proteínas e transtornos do espectro do autismo (ASD), o que pode levar a novas estratégias terapêuticas.

A regulação da síntese de proteínas, também denominada tradução do mRNA, é o processo pelo qual as células fabricam proteínas.

Este mecanismo está envolvido em todos os aspectos da função celular.

Agora, os pesquisadores mostraram que a síntese anormalmente elevada das proteínas neuronais neuroliginas resulta em sintomas semelhantes aos diagnosticada em pessoas com autismo.

O estudo também sugeriu que os sintomas do autismo podem ser corrigidos em ratos adultos com compostos que inibem a síntese de proteínas ou por meio de terapia genética que segmenta as neuroliginas.

Os resultados foram publicados na revista Nature.

"Meu laboratório é dedicado a elucidar o papel da síntese desregulada de proteínas na etiologia do câncer. No entanto, nossa equipe se surpreendeu ao descobrir que mecanismos semelhantes podem estar envolvidos no desenvolvimento do autismo. Nós usamos um modelo de rato em que um gene-chave que controla a iniciação da síntese de proteína foi excluído. Nestes ratinhos, a produção de neuroliginas foi aumentada. Neuroliginas são importantes para a formação e a regulação de sinapses entre as células neuronais no cérebro e essenciais para a manutenção do equilíbrio na transmissão de informação entre os neurônios", explica o pesquisador Naum Sonenberg.

Segundo os pesquisadores, desde a descoberta de mutações de neuroligina em indivíduos com autismo, em 2003, os mecanismos moleculares precisos implicados permanecem desconhecidos. "Nosso trabalho é o primeiro a vincular o controle de translação de neuroliginas com alterações da função sináptica e comportamentos de autismo em camundongos", afirma Gkogkas.

Reversão dos sintomas

Para reverter os sintomas do autismo em ratos adultos, os pesquisadores usaram dois passos. Em primeiro lugar, eles utilizaram compostos, que foram previamente desenvolvidos para o tratamento do câncer, para reduzir a síntese de proteínas.

Em segundo lugar, usaram vírus de não replicação como veículos para frear a síntese exagerada de neuroliginas.

A modelagem computacional desempenhou um papel importante na pesquisa. Ao utilizar um algoritmo de computador novo e sofisticado, os autores identificaram as estruturas únicas de mRNAs das neuroliginas que poderiam ser responsáveis pela sua regulação específica.

Eles descobriram que a síntese desregulada de neuroliginas aumenta a atividade sináptica, resultando em um desequilíbrio entre excitação e inibição de células cerebrais individuais, abrindo novos caminhos para pesquisas que podem desvendar os segredos do autismo.

"Os comportamentos autistas em camundongos foram impedidos reduzindo seletivamente a síntese de neuroligina e revertendo as alterações na excitação sináptica em células. Em suma, nós manipulamos mecanismos de células cerebrais e observamos como eles influenciam o comportamento do animal", explica o pesquisador Jean-Claude Lacaille.

Transtornos do espectro autista abrangem uma ampla gama de doenças do neurodesenvolvimento que afetam três áreas do comportamento: interações sociais, comunicação e interesses repetitivos ou comportamentos.

De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDCs), 1 em 88 crianças sofrem de autismo, e a desordem atinge todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos. ASDs são quase cinco vezes mais comum entre os meninos (1 em 54) do que entre as meninas (1 em 252).

Fonte: Isaude.net