Geral
06.11.2012

Nanopartículas transportam material genético e medicamentos simultaneamente

Terapia desenvolvida na Unicamp mostra que é possível entregar material genético necessário nas células doentes junto com fármacos

Foto: Antoninho Perri/Ascom/Unicamp
Biotecnólogo Allan Radaic, autor da pesquisa.
Biotecnólogo Allan Radaic, autor da pesquisa.

Pesquisa com o uso de nanopartículas desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conseguiu viabilizar o transporte simultâneo do material genético e dos medicamentos com o uso de terapia gênica contra o câncer. Isso corresponde a entregar o material genético necessário nas células doentes, e o carreamento de fármacos, que corresponde à entrega direta do fármaco ao seu alvo, evitando possíveis efeitos colaterais.

O trabalho busca desenvolver e aperfeiçoar o novo método de produção dos chamados Carreadores Lipídicos Nanoestruturados (CLN) e as Nanopartículas Lipídicas Sólidas (NLS), nanopartículas formadas por lipídios, desenvolvidas para função de carregar moléculas com atividade biológica, como material genético, fármacos e proteínas às células alvo de forma efetiva e segura.

Nos casos estudados pelo pesquisador responsável pelo estudo, Allan Radaic, envolvendo cânceres de próstata e mama, foram considerados o denominado gene codificante para PTEN e o fármaco mitoxantrona. Os resultados experimentais mostraram que essas nanopartículas foram capazes de incorporar o fármaco mitoxantrona de forma eficiente e de interagir com o material genético portador do gene codificante para PTEN, protegendo-o da ação de enzimas degradadoras de DNA.

O método utilizado por Allan inova na produção laboratorial, isto é, em pequena escala, das partículas carreadoras, o que viabiliza economicamente as pesquisas. Mas a diferenciação maior do trabalho está no fato de ter conseguido o carreamento conjunto do gene e do fármaco, que foi crucial ao vencer a resistência ao fármaco nas células do câncer da mama, o que ainda não havia sido explorado na literatura médica.

Ainda segundo o pesquisador, a eficiência do método é evidenciada pela baixa viabilidade das células de câncer após o tratamento in vitro, conseguindo resultados promissores em comparação com os da literatura. O objetivo do estudo foi o de contribuir para o desenvolvimento dessas novas terapias que precisam ainda vencer uma série de barreiras para que se tornem viáveis.

Com informações da Unicamp

Fonte: Isaude.net