Ciência e Tecnologia
03.11.2012

Interface cérebro-computador aumenta mobilidade de pessoas com limitação motora

Projeto permite comunicação baseada em ondas cerebrais e estímulos visuais e restaura comunicação e mobilidade dos doentes

Foto: Divulgação
Gabriel Pires com a interface
Gabriel Pires com a interface

Cientistas da Universidade de Coimbra, em Portugal, criaram uma interface cérebro-computador para pessoas com limitações motoras graves, como doentes com esclerose lateral amiotrófica (ALS), pessoas tetraplégicas e com paralisia cerebral.

Ao permitir uma comunicação baseada apenas em ondas cerebrais e estímulos visuais, o sistema desenvolvido pelo pesquisador Gabriel Pires restaura a comunicação, aumenta a mobilidade e o grau de independência dos doentes.

O sistema foi validado clinicamente e obteve resultados positivos em um grupo de portadores de ALS, um paciente tetraplégico e em uma pessoa com a síndrome de Duchenne.

"Trata-se de uma ferramenta de assistência muito poderosa que, quando entrar no mercado, terá um forte impacto social porque permitirá às pessoas com deficiências motoras muito graves obter mais autonomia", afirma Pires.

Segundo o pesquisador, com a interface cérebro-computador, os pacientes vão poder realizar tarefas quotidianas como conversar no Skype, conduzir uma cadeira de rodas, ligar luzes, acionar alarmes via telefone, ligar a televisão, entre outras.

A interface é composta por um conjunto de algoritmos de processamento de sinal que, após recolher os sinais cerebrais por meio da eletroencefalografia, descodifica os padrões cerebrais e seleciona letras de forma sequenciais, permitindo escrever frases.

São algoritmos que se ajustam aos padrões neuronais das pessoas. Por exemplo, "o sistema consegue perceber se o utilizador, no momento, quer ou não efetuar uma dada tarefa. Por outro lado, com um simples fechar de olhos, o utilizador desliga a interface. Para ligar novamente, repete o movimento", explica Pires.

Fonte: Isaude.net